Escolha Profissional

A escolha profissional normalmente ocorre ao final da adolescência, ao término do ensino médio, quando o jovem faz a escolha por um curso técnico ou pela graduação. No entanto, apenas uma pequena parcela da população consegue ingressar numa faculdade ou num curso técnico.

Muitas vezes, as adversidades da vida (dificuldades financeiras, de locomoção, de tempo) acabam restringindo as possibilidades de escolha profissional e as pessoas vão para o mercado de trabalho sem qualificação. A informação é da psicóloga pós-graduada em Psicologia e Saúde Mental Coletiva, Gestão em Recursos Humanos e em Avaliação Psicológica, Marine Barbieri Cristofoli.

De acordo com ela, a escolha profissional envolve fatores como competências pré-existentes, retorno financeiro, informações prévias, podendo envolver também expectativas familiares ou valorização social, mas a decisão deve envolver, especialmente, o autoconhecimento e a realização pessoal.

"As crises vocacionais não aparecem apenas antes da escolha de uma faculdade ou de um primeiro emprego, mas estão presentes em diversas fases da vida profissional. É comum e até saudável que o indivíduo, mesmo bem sucedido, se pergunte se está mesmo realizado profissionalmente, pois ele passa por diversas mudanças ao longo do tempo e mudar de trabalho pode refletir essas mudanças", salienta.

Sugere-se que o indivíduo, ao escolher uma profissão, procure se conhecer, investigue e leia sobre o exercício daquela atividade, veja sobre as possibilidades de atuação que lhe auxiliarão na escolha. Segundo ela, é preciso conciliar a escolha com os gostos, sonhos, habilidades, dificuldades, pois escolher uma atividade profissional é optar por um projeto de vida. O profissional psicólogo poderá auxiliar no processo de escolha profissional através do trabalho chamado orientação profissional.

Ansiedade x Trabalho

A psicóloga explica que é no local de trabalho, onde mais sentimos ansiedade. "Algumas condutas podem aliviar os sintomas da ansiedade: organização no trabalho e na vida pessoal, ter perspectiva com a profissão, ser respeitado por aquilo que faz criar um ambiente de trabalho acolhedor, fazer intervalos quando eles existirem na rotina do local de trabalho, mantendo atitudes positivas, ter relacionamentos interpessoais saudáveis, contribuir para o bom clima organizacional. O uso dessas práticas proporciona maior bem estar às pessoas", aconselha.

Bem estar x Dinheiro

Conforme a psicóloga, tanto o bem-estar quanto o dinheiro são importantes. "Mais do que a remuneração que a pessoa irá receber. Ter um ambiente de trabalho saudável, com bom clima organizacional, bom relacionamento com gestores, colegas e clientes, condições ergonômicas e físicas adequadas, além da existência de uma carreira atrativa e de benefícios indiretos é determinante para a escolha do trabalho por permitir que a pessoa seja mais feliz", acrescenta.

Insegurança x Trabalho

Marine conta que, normalmente, a insegurança no trabalho está associada a alguns medos. Por exemplo, medo de ser demitido, de expor suas ideias, de falar algo errado, etc. "A insegurança no trabalho pode ser combatida com alguns dos seguintes comportamentos: pensamento positivo, confiança em si e naquilo que faz, conhecer sempre mais e buscar aprimorar-se naquilo que faz, desenvolver o autoconhecimento, estar aberto a mudanças, buscar opinião de sua atuação profissional, ser paciente e flexível para as coisas que precisa mudar, melhorar a autoestima", afirma.

Trabalho x Lazer

A psicóloga alerta que todas as pessoas precisam de lazer e ele é necessário já que traz benefícios significativos na qualidade de vida das pessoas. Mas, para ter lazer a pessoa também precisa conseguir organizar sua vida (profissional e pessoal), caso contrário o lazer sempre será um sofrimento por parecer que foi deixado de fazer algo urgente no trabalho. "Acredita-se que nada vem de graça e as pessoas que conquistam sucesso sempre trabalham algumas horas a mais no dia. Porém, devem desfrutar de momentos prazerosos na vida, especialmente com a família, os quais renovarão as energias e motivarão a pessoa a querer continuar trabalhando, com vistas a atingir novos objetivos e metas", enfatiza.

Lidando com a frustração

Marine analisa frustração como um sentimento complicado de aprendermos a trabalhar, pois ela provém de repercussões causadas por alguma expectativa que criamos.

"A frustração normalmente ocorre quando desejamos alguma coisa e o resultado não é o esperado. Quando essas desilusões acontecem, não devemos permanecer apenas chorando e sofrendo pelo ocorrido, com pena de si mesmo, culpando-se. Devemos, neste momento, parar para observar tudo o que aconteceu, observar seus erros e os acertos, os erros e os acertos do outro, além de observar as condições em que o fato ocorreu. Devemos nos lembrar de que somos todos humanos, com qualidades e defeitos e que, às vezes, esperamos mais do que as outras pessoas ou a situação pode nos dar", observa.

Sobre o assunto, ela diz, ainda que quando aprendemos a observar com mais clareza as situações (de forma mais objetiva e racional), as pessoas, o trabalho, conseguiremos fazer com o que realmente desejamos aconteça da melhor forma, sem perdermos tempo com situações que somente nos geram dor e não nos proporcionam nenhuma evolução como pessoa, na busca da felicidade.

Ajuda Profissional

"A orientação profissional desenvolvida pelo psicólogo permitirá que a pessoa verifique quais são as profissões que estão mais próximas das possibilidades, capacidades e interesses. A orientação profissional deve proporcionar ao indivíduo uma forma de resolver o 'dilema' diante do momento tão difícil de decisão. A decisão é uma escolha pessoal. Cabe ao psicólogo instigar o indivíduo a fazer reflexões, auxiliando-o a definir de maneira mais lúcida e segura sua escolha para que seja integrada, harmoniosa e feliz consigo mesma", conclui.

Fonte: Folha do Oeste