Viver ansioso é andar com um "tic tac" constante. Da mesma forma que é difícil adormecer com o barulho de um relógio na cabeceira, também é difícil viver todos os momentos do dia com a ansiedade a fazer o seu barulho interior constante.
Se por um lado a ansiedade é o que dá ritmo ao dia a dia, por outro, quando não é usada de forma adaptativa, pode ser aquilo que impede a pessoa de viver com bem-estar e tranquilidade. Estar ansioso é ter medo, sentir-se aflito, sentir que não é capaz de alcançar algo, sentir-se bloqueado.

Quando se está ansioso podem surgir diversos sintomas físicos (entre eles insónias, dor de cabeça, dor no peito, o coração a disparar, náuseas…), que podem ser muito incomodativos e também limitativos. Os sintomas físicos são gerados por pensamentos automáticos, como se fossem o "tic tac" de um relógio. Se formos capazes de os identificar e modificar, talvez seja possível travar a ansiedade. Estes pensamentos automáticos podem ser: "eu não consigo!", "não sou suficientemente bom!", "eu nem devia de estar aqui!", entre muitos outros. E podem também, como pertencendo a um ciclo, ser consequências da ansiedade, como, por exemplo, "não posso ficar ansioso!". Mas pensar na ansiedade gera ainda mais ansiedade – como se, sem querer, a pessoa trouxesse para si aquilo que mais quer evitar. Estes pensamentos automáticos podem tornar-se cada vez mais constantes, e menos conscientes.

Assim, a única forma de os parar é, em primeiro lugar, identificá-los. E, em segundo lugar, tentar pará-los, questionando-os. Por exemplo, perante o pensamento "eu não consigo", pergunte "eu não consigo mesmo? Mas já consegui outras vezes?". Comunique consigo próprio. Depois de questionar estes pensamentos pode vir a descobrir que alguns talvez não sejam tão reais como pareciam. Depois de descortinar que alguns pensamentos são "alimentados" pela ansiedade, procure focar a sua atenção em algo diferente, que o tranquilize. Encontre formas de se distrair, como olhar para uma fotografia ou ir passear o cão. Se não alimentar os pensamentos automáticos eles acabam por não sobreviver.

Fonte:Oficina de Psicologia