O esporte é, sem dúvida, poderoso instrumento de educação e fonte de saúde. Desempenha importante papel na formação do homem e na vida em sociedade. Segundo Murad (2007) "é lúdico cultural e socialmente organizado, regulamentado e institucionalizado, com sua lógica interna e externa, constitui parte integrante da dinâmica das sociedades." Essas propriedades realizam-se por meio de regras, normas e leis próprias e autônomas que disciplinam o comportamento e favorecem o desenvolvimento físico, cognitivo e emocional de seus praticantes.

Com tamanha amplitude de atuação, as práticas esportivas vêm chamando atenção de vários estudiosos que se dedicam na produção de conhecimentos específicos sobre este tema. Embora se constate um aumento na criação de grupos de estudo, institutos e publicações no campo de práticas esportivas, observa-se grande concentração em abordagens psicossociais, física e fisiológicas. No entanto, os avanços tecnológicos de neuroimagem vêm destacando a abordagem da Neuropsicologia Cognitiva. A compreensão da relação da cognição, comportamento e atividades do sistema nervoso em condições normais ou patológicas, para a da ação motora para mapear, documentar e monitorar o estado neuropsicológico dos atletas e, consequentemente, sua performance profissional e pessoal.

A psicologia do esporte concentra seus estudos na relação do desenvolvimento de padrões motores com o nível de execução, objetivando identificar características ou traços de comportamentais que favorecem a ação motora e o desempenho esportivo (Rubio, 2004). Sob esta perspectiva, a ação motora monitorada pelas funções cognitivas "é um produto final de mecanismo de resposta muscular a um estímulo aferente, produzindo um circuito que vai desde os centros superiores até a contração muscular" (Kandel, Schwartz & Jessel, 1997). Trata-se do estudo das atividades cognitivas que interferem nas atividades motores, tema de interesse tanto da Psicologia de Esporte como da Neuropsicologia Cognitiva.

Pesquisas realizadas por Piek e cols (2004) demonstram que crianças com problemas atencionais podem apresentar também alteração na coordenação motora. Outros pesquisadores revelam "que crianças com transtornos do desenvolvimento da coordenação apresentam dificuldades principalmente quando as tarefas são mais complexas e exigem etapas para serem seguidas, envolvendo ainda velocidade e precisão nas respostas (Coleman-Carman, 1995, Vaessen &Kalboer, 1990). Essas tarefas exigem controle inibitório e memória de trabalho, assim como manipulação das representações mentais necessárias para cumprir a resposta motora correta, comprovando a correlação entre o desempenho de práticas esportivas e funções executivas.

Fonte: Centro de Neuropsicologia Aplicada