Resiliência é, certamente, um dos termos da psicologia que mais se popularizou no meio do senso comum, e podemos entendê-la como a capacidade que as pessoas possuem de resistência e superação de situações adversas. Ora, mas isto que parece ser tão bonito e tão natural para as pessoas no dia a dia não é bem simples assim.

Quando falamos de resiliência não estamos nos referindo a capacidade de ignorar uma dedada na "quina da cama", ou mesmo de colocar uma frase motivacional (ou de livro de auto-ajuda) em alguma foto narcísica no facebook, mas de uma capacidade de lidar com sérios contratempos e superá-los.

Esta capacidade parece ter sido seriamente abalada nesta última geração de jovens e adultos jovens pelo estilo de vida fast food que levam, afinal de contas, o modo de vida em que as pessoas se desenvolvem é o principal agente formador das suas configurações subjetivas. Ora, mas porque a resiliência das pessoas está beirando o precipício da existência? Respondo a esta pergunta nos próximos parágrafos.

Acredito que existem três coisas essenciais à resiliência na vida humana, são elas:

  • Paciência: Para lidar com as situações da vida que se colocam diante de nós e que exigem respostas cautelosas e trabalhosas. Ora, nem tudo na vida se resolve rápido e nem à pronta entrega. Por isso a resiliência é um grande problema no Brasil (e no mundo ocidental de fato), pois ela fala diretamente do nível de ansiedade das pessoas – Quanto mais ansiosa a pessoa for é provável que menos resiliente ela seja.
  • Perseverança: Ora, além de ter paciência é necessário que exista uma postura ativa de enfrentamento às questões atordoadoras de nossa vida, e isso exige desafiar nossas mazelas, retirar-nos do coitadismo e tomar a responsabilidade pelos nossos atos e problemas. Isso, todavia não tem acontecido, pois existe uma grande dificuldade na atual geração para se responsabilizar pelos seus atos – normal em se tratando de uma geração de filhos criados sobre as asas superprotetoras de pais neuróticos formados pela violência do mundo.
  • Propósito: Ora, uma vida esvaziada de propósito, senso de futuro ou de sonhos de autorrealização (como diria Maslow) está fadada ao desânimo existencial, pois se não há um porque viver, não importam os comos (repaginando Nietzsche). A falta de "norte", de referência, de objetivos de vida, constituem em si problemas para a resiliência.

Penando nos três itens acima podemos fazer a reflexão: Quantas vezes nos deparamos com casos de jovens que não "param" em um emprego, que não tem capacidade de lidar com as frustrações no trabalho e desistem do mesmo no primeiro sopro de dificuldade, de como as pessoas tem abandonado o projeto de casamento que constituíram para si?!

Por isso que eu digo, precisamos combater a falta de resiliência nos atentando a estes três pontos em nossa vida: Qual o tamanho e a forma de nossa paciência? Temos sido pessoas perseverantes? Qual é o nosso propósito de nossa vida (Objetivamente)?

Por isso, uma das coisas que posso dizer com certeza: Uma das características mais buscadas por gestores de RH, nos últimos tempos, passa diretamente pelos temas da resiliência dos candidatos. Em questões de separação familiar, uma das coisas que mais falta é a resiliência tanto no pré-pós e peri processual, e assim são inúmeros exemplos de outras áreas.

Fonte: Colunista Murillo Rodrigues