Diversas alterações do desenvolvimento começam a aparecer em momentos bem precoces na vida da criança, o que possibilita a identificação prévia do poderá se constituir enquanto um transtorno. Assim, a importância de se observar a criança, seu desenvolvimento e comportamentos também está ligada com a percepção de tais características e aspectos que sugerem alterações e torna-se possível a realização de intervenções preventivas ou reabilitações em um momento ainda mais favorável para a criança.

Devido aos diferentes tipos manifestos e graus de comprometimento, fala-se hoje não apenas em um tipo de autismo, mas em transtornos do espectro autista. Apesar das diferenças, estes transtornos do desenvolvimento têm em comum o fato de se manifestarem nos momentos iniciais da vida da criança e de apresentarem alterações em três esferas: interações sociais, comunicação e no comportamento e interesses da criança. Assim, torna-se fundamental que as primeiras alterações sejam identificadas pelos pais, familiares ou professores, para que a criança possa ter os encaminhamentos adequados e, assim, receber um tratamento favorável ao seu desenvolvimento. Ressalta-se que o diagnóstico é algo complexo, pois diferentes deficiências (mentais, visuais, auditivas) podem produzir sintomas similares, assim, é necessária a atuação de uma equipe profissional.

Segue abaixo algumas das principais características dos transtornos do espectro autista, que podem variar em grau e intensidade:

Ausência ou limitação com comportamentos não-verbais, tais como contato visual direto, expressão facial, posturas corporais e gestos;
• Ausência ou grande dificuldade em estabelecer relacionamentos de reciprocidade social e emocional;
• Ausência de tentativas espontâneas de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (ex.: a criança não mostra ou aponta objetos de interesse);
• Atraso ou ausência total de desenvolvimento da linguagem oral;
• Uso estereotipado e repetitivo da linguagem;
• Ausência de jogos ou brincadeiras de imitação social próprios do nível de desenvolvimento;
• Preocupação insistente com um ou mais padrões estereotipados e restritos de interesse;
• Adesão aparentemente inflexível a rotinas ou rituais específicos e não-funcionais;
• Maneirismos motores estereotipados e repetitivos (ex.: agitar ou torcer mãos e dedos ou movimentos complexos de todo o corpo);
• Relativa falta de criatividade e imaginação em processos mentais;

Referência: CRISTINA, M.; KUPFER, M. Notas Sobre o Diagnóstico Diferencial da Psicose e do Autismo na Infância. Psicologia USP, São Paulo, v.11, n.1. 2000.

Fonte: Scielo