Essa pergunta nos foi enviada por uma de nossas amigas em nossa página, com uma dúvida sobre "quanto devo cobrar por uma sessão de psicoterapia individual?"

Esta é uma excelente pergunta! E o digo porque, via de regras, não somos ensinados na graduação sobre quais são os valores que devem/podem ser cobrados em nossa atuação profissional em diferentes áreas, o que faz com que pisemos em um terreno de incertezas e indefinições.

Em primeiro lugar, há que se esclarecer que, nossas universidades são muito falhas e carentes neste papel formativo no que diz respeito ao psicólogo enquanto profissional NO MERCADO DE TRABALHO, ao passo que, cabe a este mesmo em vários momentos, se aventurar para descobrir. Mas isso quer dizer que não há um valor médio ou fixo pelo qual devo cobrar meus serviços? Não! Existe sim um material que é utilizado como GUIA para que psicólogos possam se basear no momento de estabelecer um preço pelos seus serviços.

A Federação Nacional dos Psicólogos (FENAPSI), entidade maior de representação sindical dos psicólogos do Brasil, em conjunto com o Conselho Federal de Psicologia (CFP), órgão regulador da profissão, elaboram uma pesquisa, de tempos em tempos, com o objetivo de estimar qual o valor médio cobrado por psicólogos no Brasil por seus serviços. A tabela em vigência, datando do ano de 2013, está em processo de substituição por uma nova (que ainda não foi publicada), mas há que se deixar bem claro que ela representa somente um guia, e não uma obrigação, sendo que o valor dos serviços deve ser acertado entre cliente e profissional. A tabela serve para que o psicólogo tenha referência sobre os valores praticados no país.

Conforme vocês podem ver na imagem (verificar no link no fim do texto), existem três margens de valores na tabela, como se a mesma fosse direcionada para diferentes públicos (Suponhamos, a grosso modo, que seja referente a CLASSE A, B e C), precisando um valor limite inferior, um valor limite médio e um valor limite superior: uma sessão de psicoterapia individual, por exemplo, tem como limite inferior o valor de R$ 81,62; limite médio de R$ 118,18; e limite superior de R$ 139,93. Lembrando que estes valores são baseados em uma média nacional extraída através de pesquisa com a categoria profissional, e que não estabelece nem piso e nem teto para a cobrança dos serviços, já que, como já dito, os valores devem ser cobrados conforme contrato realizado pelo profissional e cliente.

Apesar de a tabela ter uma utilidade muito importante para a vida profissional dos psicólogos, ela apresenta uma pequena questão que deve ser observada: ela deve ser aplicada à vida profissional de cada um conforme a demanda e as condições socioeconômicas da população da comunidade onde o psicólogo atua. A tabela é feita respondendo a uma média matemática nacional, mas isso não leva em consideração o fato de que um psicólogo clínico na cidade de São Paulo ou Rio de Janeiro (grandes centros urbanos), ganhem mais do que um psicólogo clínico na cidade de Itapuranga – GO, em média. Ou seja, o psicólogo deve saber usar a seu favor certo nível de pesquisa de mercado, entendendo qual o potencial socioeconômico da população ao qual presta serviços, afinal um trabalhador assalariado, via de regras, tem menor condição financeira do que um empresário, logo não é justo que ambos paguem o mesmo valor, nem que um fique privado de serviços psicológicos pela sua situação financeira.

Obviamente, há profissionais de todos os níveis de experiência no mercado de trabalho, e psicólogos que, em Goiânia por exemplo, cobrem R$ 100,00 a sessão, e há psicólogos que cobram R$ 450,00, mas a diferença entre um e outro, geralmente se dá porque o segundo tem uma excelente formação (um doutorado, várias especializações) ou vários anos de experiência no mercado, com uma sólida clientela. Enfim, o que vale, apesar de ter um guia, é o bom senso, sabendo que tempo, formação, experiência e habilidades contam muito para determinar o valor de um serviço.

Imagem: Google Imagens

Link para a tabela: Site do CFP

Fonte: Rede Goiana de Psicologia