"As consequências de um ato afetam a probabilidade de que ocorra novamente" (Skinner).

Olá amigos!

Durante a faculdade de psicologia, brincamos que psicólogos não tem bola de cristal e, portanto, não conseguem prever o futuro. Nem ler mentes, pensamentos ou avaliar uma pessoa apenas olhando para ela ou sabendo um pouco sobre a sua vida. É claro que nem precisamos explicar muito. Apesar de termos acesso durante à faculdade e depois dela a muitas e muitas informações, conhecimentos e técnicas – tudo isso – não faz com que tenhamos "poderes sobrenaturais".

Mas, porém, contudo, todavia, também estaremos errando se dissermos que com o estudo e com anos de prática, nós, psicólogos, criamos a habilidade de prever o comportamento com certa margem de acerto. Por que isso não seria incorreto de se dizer?

Ora, pensemos em uma dinâmica de grupo para escolher um funcionário para uma empresa. A dinâmica simulará uma situação na qual cada um vai agir de acordo com a sua personalidade. Razão pela qual é possível avaliar que o comportamento na dinâmica será parecido ou até idêntico a uma situação semelhante no dia a dia.

Um outro exemplo: na avaliação do comportamento infantil através da ludoterapia, os jogos e os brinquedos cumprem o papel da dinâmica de grupo. Em outras palavras, o modo como a criança joga um jogo ou brinca uma brincadeira diz muito do modo como ela se comporta em sua vida, em casa ou na escola.

Um garoto que burla as regras de um jogo conhecido por todos e mente afirmando categoricamente que não roubou provavelmente faz o mesmo em seu cotidiano. Ou aquele que não aceita perder ou chora quando perde. Enfim, como dissemos algumas vezes aqui no site, não dá para sair ou fugir de si mesmo. O que acontece em uma dinâmica de grupo ou um jogo no consultório também tem muitas chances de ocorrer em outros momentos da vida.

Psicólogos podem prever o comportamento?

Com isso, estamos a um passo a frente para responder a pergunta acima. Penso que a melhor resposta é uma resposta aberta: sim e não.

Se vocês voltarem aos parágrafos anteriores, verão que sempre menciono palavras como provavelmente ou talvez ou "tem chance de ocorrer". Na medida em que o comportamento é uma interação dinâmica e complexa entre o sujeito (organismo) e o seu ambiente, nunca falaremos com exatidão matemática, já que as condições podem se alterar ou o sujeito pode mudar ou agir de outro modo. (Razão pela qual a psicologia não é uma ciência exata e sim uma ciência humana).

Por outro lado, conhecendo a história, o repertório comportamental, e as interações anteriores – situações ou contextos parecidos – existe uma grande possibilidade de acertar. Se assim não fosse, os testes psicológicos, as dinâmicas de grupo, as anamneses, as entrevistas de avaliação seriam sem sentido.

As probabilidades de um comportamento ocorrer

Quem se lembra das aulas de probabilidade na escola? Bem, quando falamos em probabilidade, estamos falando das chances de um fenômeno acontecer ou não. Segundo os historiadores da matemática, o estudo das probabilidades começou com os jogos de azar (ou sorte: jogos de cartas, dados e de roleta).

Se um dado tem 6 faces, cada face com um número de 1 a 6, qual é a chance de eu acertar o número 6?

Essa é a ideia básica. Na psicologia, é possível estudar os comportamentos anteriores e assim diminuir as chances de erro. Lembrando que a palavra probabilidade vem de testar ou provar (probrare). É claro que o campo de probabilidades é mais complexo do que um simples jogo de dados.

Imaginemos uma pessoa que tem o vício de fumar tabaco. Todos os dias, nos últimos 40 anos, esta pessoa fumou um maço de cigarros (20 cigarros). Será que esta pessoa, que fumou ontem e nos últimos 40 anos, vai acordar hoje e fumar?

Qualquer um diria: provavelmente sim. As chances de que ela compre o maço e fume os 20 cigarros é muito alta.

Mas, sabemos que esta mesma pessoa que fumou durante décadas pode simplesmente parar a qualquer momento. Talvez ela tenha ido ao médico, que disse que se ela não parar terá só alguns anos de vida. Talvez ela tenha se convertido a uma religião ou começado a fazer um tratamento com nicotina em adesivo.

Agora, se esta pessoa que fumou 40 anos está sem fumar há 2 anos. Alguém chega com um maço de cigarros e lhe oferece, será que ela vai fumar?

Depende. Depende especialmente do contexto. Talvez se ela estiver em uma festa e bebendo, poderá voltar a fumar. Talvez tenha passado por um momento muito estressante e então há a recaída.

Imaginemos um último contexto. Imaginemos que esta pessoa está internada em uma clínica de recuperação, aonde é literalmente impossível para ela conseguir um único cigarro. Será que ela vai fumar?

Obviamente não, já que não há acesso à possibilidade.

Através deste exemplo, vemos como a avaliação das probabilidades da emissão de um comportamento acontece de acordo com o ambiente e de acordo com a avaliação dos comportamentos nem sempre acessíveis como o pensamento.

Com uma avaliação clínica detalhada, aumenta-se a possibilidade de acertar se um comportamento acontecerá ou não. E tudo isso não é uma mera especulação ou entretenimento. Saber das probabilidades terá muito utilidade para ajudar um paciente.

Conclusão

Este tipo de análise das probabilidades da emissão de um comportamento também é muito útil para o autoconhecimento ou auto-observação. Afinal, se eu quero mudar um comportamento que está me atrapalhando, como saber exatamente o que interfere, impele ou predispõe a minha ação? E o que atrapalha, dificulta ou impossibilita?

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Fonte: Psicologia MSN

Imagem: Extraída do Google Imagens.