De acordo com investigadores da Universidade de Nápoles (Itália), as pessoas com dificuldade em identificar, expressar e gerir experiências emocionais podem ter maior propensão a desenvolver perturbações de ansiedade, nomeadamente perturbação de pânico. Quem já teve um ataque de pânico não precisa de ser relembrado do intenso desconforto e terror associado à sensação de perigo iminente, sensação de impotência e um forte impulso instintivo de fuga. O início das crises é de tal modo súbito, que em poucos minutos atinge-se um pico de medo tão intenso que nos aprisiona ao medo de voltar a sentir medo. A sensação de impotência instala-se e perde-se gradualmente a esperança de voltar um dia a controlar o corpo e os pensamentos.

Vamos falar de emoções… Já em 1884 William James postulava que as emoções são "respostas de um sistema complexo, cujo objectivo é o de preparar o organismo para responder aos estímulos do meio que têm significado evolutivo". Sabemos bem que as emoções tiveram, e têm, um papel fundamental na sobrevivência da nossa espécie, mas por vezes somos confrontados com emoções tão intensas, como o medo, sem haver qualquer perigo iminente real. Vasco (2009) defende que as emoções podem ser subjectivamente eufóricas (agradáveis) ou disfóricas (desagradáveis), adaptativas ou não adaptativas, e cumprem a função de sinalizar o grau de regulação da satisfação das necessidades vitais, tornando a essência do bem-estar psicológico na capacidade de regulação dessas mesmas necessidades.

Ao não tomarmos consciência das nossas necessidades e, por conseguinte, não encontrarmos meios de as satisfazer e/ou regular, deixamos ao corpo a tarefa de "expressar" e "comunicar" as emoções que não expressamos de um modo saudável e adaptativo. Essa expressão das emoções reprimidas pode traduzir-se em diversas manifestações psicossomáticas como ataques de pânico, problemas gastrointestinais, problemas dermatológicos, desregulação hormonal, entre outros.

Fonte: Oficina de Psicologia