O que é pânico e agorafobia?

Explicar o que é um ataque de pânico só faz sentido para quem não tenha passado por um… É daquelas coisas que só se conhece, vivendo-a. Então, para si, que nunca teve um ataque de pânico, aqui vai uma tentativa de explicação: imagine que se sente ansioso; mais ainda; mais ainda; à beira do descontrolo; completamente descontrolado – o coração a 1000 à hora, um aperto no peito, parece que o ar não chega, não vai conseguir respirá-lo; o mundo à sua volta adquire um tom de irrealidade e distância, complicado pela sensação de tontura; o estômago embrulha-se; as mãos suadas; as pernas ou a boca dormentes; a garganta apertada; um vazio de raciocínio; a necessidade absoluta de fugir, de fugir de dentro de si, desse corpo que, sem mais nem porquê, decidiu maltratá-lo, ameaça morrer-lhe; o chão foge-lhe; a loucura espreita-o. E, depois do que parece uma eternidade, você volta gradualmente à normalidade, assustado, ainda, mas cansado, tãããooo cansado!

Horrível, não é? No entanto, há pessoas que passam por várias destas crises por semana. Adianta de pouco dizer-lhes que não é nada, que se acalmem, que são só coisas da cabeça delas. Infelizmente, estes são, frequentemente, os comentários bem-intencionados que pessoas com pânico ouvem. E o resultado é sentirem-se incompreendidas e isoladas, reservando para si o sofrimento do seu dia-a-dia. Ter um ou mais ataques de pânico não chega para se definir uma perturbação do pânico mas, na ausência de uma intervenção precoce, quem sofra de 2 ou 3 destes episódios, acaba por vir a sofrer de perturbação do pânico. O motivo é simples: a experiência é tão aterradora que, rapidamente, a pessoa começa a preocupar-se, de uma forma persistente, com a possibilidade de ter uma nova crise ou de lhe acontecer algo de terrível na sequência de um ataque de pânico (como morrer, enlouquecer ou perder os sentidos). Quando isto acontece, já estão reunidos os critérios para se definir a situação como sendo uma perturbação do pânico.

Ao pânico, facilmente se associa uma outra perturbação: a agorafobia. O pânico, pelas suas características – crises súbitas, inexplicáveis, surgidas do nada – exige uma explicação racional! Depois de uma crise, qualquer pessoa, conscientemente ou não, começa a procurar razões para se ter sentido tão mal; e, como quem procura sempre encontra… As razões aparentemente mais evidentes prendem-se com a saúde física: é um problema no coração, é o descontrolo da loucura, é uma quebra de açúcar no sangue que o vai fazer desmaiar de repente… E se voltar a acontecer, como é que pode ser socorrido rapidamente ou procurar ajuda? Bem, se estiver numa auto-estrada, de onde não existem escapatórias durante alguns quilómetros, ou numa ponte, será difícil ser salvo a tempo, pensa. O mesmo se passa em locais com muita gente que, ainda por cima, criam uma situação de "inundação sensorial", capaz de fazer reagir o organismo menos sensível. Ou locais fechados, como um cinema, teatro ou sala de espectáculos, em que seja difícil chegar à porta e sair se, a qualquer momento, o corpo voltar a dar sinais de que o vai atraiçoar.

Assim, os locais de onde resulte difícil ou embaraçoso sair, em caso de necessidade, começam a ser evitados, bem como os locais onde já se produziram ataques de pânico, porque ficam associados, de uma forma traumática, aos maus momentos que lá se passaram. Quando se instala a perturbação do pânico com agorafobia o impacto na qualidade de vida é brutal: enquanto que, em fases iniciais e mais suaves, as pessoas "apenas" se sentem desconfortáveis nas suas rotinas diárias, hipervigilantes ao meio que as rodeia e aos seus sinais corporais, em situações mais avançadas, o seu raio de acção vai encolhendo, a sua vida social também e aumentam os condicionalismos àquilo que se sentem capazes de fazer – coisas tão simples, para a maioria de nós, como uma saída de amigos, ou ficar em casa sozinho – a um ponto incapacitante de uma vida normalmente sem restrições. No extremo desta perturbação, encontramos pessoas que raramente conseguem sair de casa, local que muitos consideram seguro, ou que são incapazes de fazer seja o que for sem a companhia de uma pessoa que considerem de confiança.

Quer o pânico, quer a agorafobia são perturbações progressivas: sem tratamento eficaz, vão piorando. 2,7% de pessoas, em qualquer ano, sofrem desta perturbação o que, só em Portugal, resulta em cerca de 280 mil pessoas afectadas (aproximadamente o dobro de mulheres). É uma perturbação que se instala em idades jovens (finais da adolescência, início da idade adulta), ainda que existam casos com o seu início em qualquer idade. Esta perturbação tem, por vezes, companhias indesejáveis, sendo as mais frequentes a depressão, a perturbação obsessivo-compulsiva e a perturbação da ansiedade generalizada.

Fonte: Oficina de Psicologia