A Perturbação Pós-Stress Traumático (PPST) é um problema de ansiedade que surge, como o próprio nome indica, depois de uma pessoa ter sido exposta a um acontecimento que constituiu um trauma psicológico.

Soluções Psicoterapêutica

Existem, essencialmente, e de acordo com a investigação científica, três formas de actuar que registam boas taxas de sucesso: a psicofarmacológica (que requer acompanhamento psiquiátrico), a intervenção psicoterapêutica de abordagem cognitivo-comportamental e utilização de uma técnica denominada EMDR. É destas duas últimas que lhe vamos falar um pouco.
Abordagem cognitivo-comportamental

Visto que uma das características da perturbação é o evitamento de todos os estímulos que estejam relacionados com o acontecimento traumático, devido à ansiedade que provocam, é natural que o primeiro objectivo da terapia seja estabelecer uma relação de confiança e segurança com o cliente. Assim, poderá aprender técnicas eficazes que o ajudem a regular a ansiedade, quando esta se eleva em momentos de confronto com aspectos da memória traumática. Nesta fase, é muito importante a aprendizagem de mecanismos que regulem a sensação de segurança e que se construa a percepção de que o medo associado à memória traumática já não é necessário para proteger o cliente, pois hoje em dia ele já está livre da situação real em que viveu o perigo ou ameaça de vida. O segundo objectivo é que se consiga expor a estímulos que recordem o acontecimento traumático de uma forma gradual, procurando que a ansiedade seja cada vez mais baixa a cada repetição do estímulo.

Assim, algo que era percebido como muito ameaçador no início perde essa característica e o corpo e mente reagem com mais tranquilidade à presença da memória traumática. O objectivo principal desta abordagem é que o cliente consiga o processamento emocional da memória traumática. Ou seja, de um ponto de vista emocional acredita-se que o cliente não terá conseguido integrar a informação do acontecimento traumático na sua história de vida. A ocorrência desta desintegração leva a que os fenómenos de intrusão (pensamentos sobre o acontecimento traumático contra a sua vontade, pesadelos, etc…) aumentem, como se uma parte do cliente soubesse que aquela memória tem de ser arrumada, juntamente com as emoções que desperta. Este processo de integração na história de vida do cliente de uma experiência tão devastadora, como são as traumáticas, é sempre difícil… mas possível! Por esta razão, na Oficina de Psicologia temos uma abordagem que respeita o ritmo do cliente e as suas necessidades de segurança e protecção visto que este é um processo que vai sendo construído em conjunto, entre terapeuta e cliente.

EMDR

Na utilização do EMDR, utiliza-se o protocolo clássico de processamento traumático, visando todas as recordações e estímulos associados ao trauma. O EMDR é uma ferramenta curiosa: apesar da intensa investigação que tem conhecido ao longo dos 20 anos da sua existência, de facto, pouco se conhece sobre a forma exacta como funciona. O que se sabe é que funciona, registando taxas de sucesso invejáveis e resultados surpreendentemente rápidos, mesmo de situações com uma duração de muitos anos e, aparentemente, resistentes a melhoria com utilização de outras técnicas. Explicado de uma forma simples, começa-se a aplicação de um protocolo EMDR pelo levantamento sistematizado do conjunto de crenças, imagens, reacções emocionais e somáticas associadas à situação traumática. Depois, o cliente foca-se nestes elementos que compõem a experiência total do trauma, e que ficou "encapsulada" no seu organismo (um pouco como se tivesse ficado parada no tempo, a aguardar uma melhor oportunidade para ser trabalhada pela pessoa), enquanto o terapeuta aplica estimulação bi-lateral alternada. Pronto… A explicação estava a correr bem até aqui, certo? A estimulação bi-lateral alternada refere-se à estimulação provocada por movimentos oculares (o terapeuta ajuda o cliente a criar movimentos oculares laterais, de acordo com um certo ritmo e duração, movimentando a mão à sua frente, ou usando um pequeno aparelho com luzes que se programam para movimentos idênticos), sons (alternadamente, à esquerda e à direita, e, da mesma forma, de acordo com um certo ritmo e duração, mais frequentemente com recurso a uma máquina própria, denominada TAC Scan) ou toques/vibrações (também com o mesmo ritmo e duração, sendo os mais habituais, pequenas batidas nas mãos ou joelhos do cliente ou, ainda, com recurso à vibração de um acessório da TAC Scan).

Repetindo várias destas sequências, o que se observa é que o organismo começa a "trabalhar" as memórias traumáticas, revendo as associações emocionais e intelectuais que foi fazendo ao longo dos anos, actualizando-as de acordo com o novo contexto, retirando-lhes o seu potencial avassalador. E continua a fazê-lo após as sessões EMDR, o que se nota por pequenas alterações que os clientes reportam, sobretudo ao nível do sono e sonhos e de novas sensações, positivas, que vão tendo de uma forma inesperada.
Uma nota de alerta: esta técnica apenas pode e deve ser aplicada por um psicoterapeuta credenciado para o efeito. Não hesite em pedir provas da credenciação, se lhe for proposta a aplicação de EMDR. É natural que se tenha identificado com alguns dos sintomas enunciados se esteve perante um acontecimento traumático. Se já passou mais de um mês desde o acontecimento e o desconforto permanece, é importante que procure ajuda. Ficamos à sua espera, para iniciarmos o trabalho necessário a devolver-lhe o bem-estar na sua vida.

Fonte: Oficina de Psicologia