O positivismo foi uma epistemologia muito importante para a Psicologia na medida em que surge na metade do século XIX (época em que a Psicologia começava a desabrochar como uma ciência instrumentalizada e sistematizada) e apropriado pelas ciências como forma de reorientar o que se entendia por conhecimento. Este que caiu como uma luva para as ciências "naturais" foi se tornando cada vez mais apreciado para o que se conhecia como as ciências do "espírito" (antropologia, sociologia, psicologia, história, etc).

A força desta teoria foi tão avassaladora, na medida em que situava todo um contexto histórico e cultural que clamava por "Ordem, Amor e Progresso" lema do Positivismo, criado por August Comte (1798-1857), seu principal desenvolvedor, que foi abraçado por toda uma academia que se formava na Europa àquela época. O positivismo é uma filosofia baseada em algumas teorias centrais: O Empirismo, o reducionismo cartesiano, o mecanicismo, o determinismo. González Rey (1997) cita uma série de pressupostos assumidos por esta teoria, na medida em que se translada para a Psicologia:

  • Crença na radical separação entre sujeito e objeto, onde no campo da psicologia o sujeito é encarado de forma passiva e reativa;
  • Metodologismo – Este termo é usado pelo autor para explicar o processo de subordinação da construção teórica pelo método;
  • Instrumentalismo – Este termo é usado pelo autor para explicar o processo de dependência extrema que as teorias, secundárias no processo, possuem dos instrumentos feitos para validarem-nas;
  • Atomização do conhecimento, fruto do reducionismo teórico, ao pensar o conhecimento "adquirido" da realidade em pequenas parcelas, e resultá-lo para fins estatísticos;
  • O operacionalismo na definição dos objetos – descrever os objetos de estudo ou os resultados de em termos mensuráveis e observáveis, de forma que o que não se enquadre nestas condições não deve ser considerado;
  • O conhecimento é organizado por "leis" que são extraídas diretamento dos objetos de estudos, de modo linear e objetivo. Desta forma processos de interpretação ou de construção teórica são rejeitados;
  • A ciência é uma atividade essencialmente cognitiva, de modo que qualquer processo afetivo é uma fonte de erro e deve ser desprezado. A neste sentido, a pura cognição é pressuposto essencial à objetividade cientifica.

Estas são as crenças centrais do positivismo, na medida em que são puros e simples pressupostos filosóficos adotados para validar o conhecimento "extraído" por este método. Esta epistemologia é que deu base para o surgimento da "Psicologia Experimental" e foi a responsável por, àquela época, elevar a Psicologia ao status de ciência. Isto fez esta teoria reinar absoluta por vários anos na Psicologia, de modo que fortaleceu bastante sua metodologia até deparar-se com problemas metodológicos graves (Lane, 1980).

O positivismo na Psicologia foi o grande fomentador do aparecimento do funcionalismo, assim como de algumas teorias estruturalistas em Psicologia. Mas sua principal herdeira foi, no Funcionalismo, as correntes psicológicas pragmáticas, dentre as quais as norte-americanas mais famosas, o Behaviorismo e o Cognitivismo.

Referência

González Rey, F. L. (1997). Epistemología cualitativa y subjetividad. São Paulo: EDUC.

Lane, S. T. M. (1980). A psicología social e uma nova concepção do homem para a psicología. Em, Lane, S.T. M, & Codo, W. Psicologia Social e o homem em movimento, 8ª Ed. Brasília: Brasiliense.

Fonte Colunista Murillo Rodrigues