A hospitalização na infância é um fenômeno inesperado que atravessa a vida da família e da criança subitamente, causando grandes mudanças para ambos. Este fenômeno também pode ser recorrente, tendo em vista que toda e qualquer criança está suscetível a algum adoecimento e tratamento em regime de internação durante seu percurso de vida. Apesar das vantagens e necessidade do tratamento, sabe-se que a hospitalização pode gerar diversas reações psicoafetivas na criança, tendo em vista a ruptura com a segurança da antiga rotina, o novo ambiente, a dor e os procedimentos invasivos, a inatividade física, etc.

As reações que a criança terá estarão relacionadas com as diversas variáveis que constituem a complexidade deste fenômeno como: o tipo da doença, a duração da internação, o tipo de tratamento, a idade e personalidade da criança, experiências prévias de internação, relação com o cuidador, relação com a equipe de saúde, etc. Apesar das diversas variáveis, alguns estudos apontam algumas reações esperadas como medo diante do desconhecido, culpa por estar em situação de dor ou "castigo" no hospital, irritabilidade e agressividade, choro e esgotamento físico e emocional.

Para amenizar os aspectos negativos da hospitalização, faz-se necessárias intervenções que resgatem a criança ativa que existe no paciente. Assim, é importante a realização de atividades lúdicas e acompanhamento pedagógico, que são previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente como direito da criança hospitalizada. A presença do acompanhante, que também é um direito da criança, é fundamental, pois seu cuidador pode lhe transmitir apoio e segurança na passagem deste momento tão difícil. O tratamento biológico não deve ignorar as necessidades psicológicas, afetivas e sociais da criança, pois a saúde envolve o sujeito em seu aspecto integral... daí a importância da atuação do psicólogo neste contexto!

Fonte: BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. São Paulo: Cortez, 1990; CHIATTONE, H. B. C. A criança e a hospitalização. In: ANGERAMI-CAMON, V. A.; CHIATTONE, H. B. C.; MELETI, M. R. (orgs.). A Psicologia no hospital. 2 ed. São Paulo: Cengage Learning, 2009. p. 23-99.