Psicologia do Esporte é uma especialização que ganha cada vez mais importância com a crescente profissionalização e os novos investimentos na área esportiva no Brasil. A demanda por esse tipo de profissional tem se mostrado um diferencial na preparação de atletas de diversas modalidades, tanto individuais como coletivas. E para explicar um pouco mais sobre a área e as possibilidades profissionais do 'psicólogo do esporte', o Vida de Calouro conversou com a professora de psicologia do Centro Universitário IBMR, Daniele Muniz. Confira.

Por que se especializar em Psicologia do Esporte?

O psicólogo do esporte deve, primeiramente, gostar de esporte e se sentir seduzido por toda engrenagem que envolve a prática esportiva. A rotina de um psicólogo esportivo é bastante diferente de um psicólogo tradicional. Seguimos as mesmas rotinas das equipes, ou seja, horários de treinamento, viagens, competições e tudo o que está relacionado à modalidade acompanhada. O psicólogo deve estar presente no dia a dia dos atletas durante todo o período de preparação e durante as competições. Se, de alguma forma, tudo isso despertar o interesse de um estudante de psicologia, já é um bom sinal. Quem procura a Psicologia do Esporte como especialização tem o desejo de fazer parte da rotina vivida pelas equipes esportivas. A psicologia enquanto conhecimento científico tem muito a contribuir para a otimização do rendimento esportivo.

O Brasil é referência nessa área ou ainda faltam profissionais qualificados e muito o que investir em estruturas esportivas para abrir mais espaço para a Psicologia do Esporte?

No Brasil existem muitos profissionais qualificados. Entretanto, se comparado a outros países, ainda é preciso avançar bastante, tanto do ponto de vista da estrutura das agremiações esportivas para acomodar esses profissionais, quanto do que diz respeito à formação profissional. Embora a psicologia já esteja presente no esporte brasileiro há mais de duas décadas, muitas agremiações ainda deixam de investir na contratação de profissionais do ramo pelo desconhecimento do sentido da prática da área. Além disso, são poucas as universidades que oferecem a formação em psicologia esportiva.

Quais são as modalidades esportivas com mais espaço para esse perfil profissional?

No Brasil, o futebol é a modalidade que mais abre espaço para o psicólogo do esporte. No entanto, com a proximidade dos Jogos Olímpicos, as confederações de outras modalidades têm buscado profissionais de psicologia para as comissões técnicas. A Confederação Brasileira de Judô, por exemplo, tem um departamento de psicologia muito bem estruturado. Na última edição dos Jogos Olímpicos, em 2012, em Londres, oito psicólogos fizeram parte da preparação psicológica de diversas modalidades. Esse foi um marco importante para a área, pois nunca antes na história tantos profissionais haviam participado. Existem também projetos sociais que abrem espaço para a Psicologia do Esporte. Os grandes clubes, em geral, costumam ter psicólogos atuando em suas equipes.

Como o psicólogo do esporte atua? A nomenclatura 'psicólogo do esporte' é a mais aceita e usual para esse tipo de profissional?

O psicólogo do esporte é mais um profissional da comissão técnica que trabalha para o desenvolvimento e aprimoramento do desempenho esportivo. Os métodos e ferramentas implementados contribuem, contudo, para a otimização do rendimento por meio do desenvolvimento de habilidades mentais. Além disso, o trabalho é feito de acordo com a dinâmica que envolve uma equipe esportiva, ou seja, os relacionamentos intergrupo, motivação, liderança, coesão e outros fatores importantes que perpassam a estrutura de um grupo.

Sobre a nomenclatura, é extremamente importante tocar nesse assunto. A Psicologia do Esporte é uma especialidade da psicologia reconhecida pelo Conselho Federal de Psicologia desde 2001. A denominação psicólogo do esporte transcende a uma questão identitária. Trata-se da legitimação de uma área de atuação dentro da psicologia. Hoje em dia, existem muitas pessoas que tentam se apropriar do saber psicológico e se intitulam psicólogos do esporte sem a devida formação e regulamentação profissional. Somente será considerado um psicólogo do esporte no Brasil aquele profissional que tiver, primeiramente, a graduação em psicologia. Para atuar na área, são necessárias muita dedicação e pesquisa, principalmente, por se tratar de um campo considerado emergente no país.

Quais são os países que servem de referência na área?

Não é coincidência o fato de as grandes referências na Psicologia do Esporte serem os países conhecidos como potências olímpicas. Países como Estados Unidos, Rússia, Japão, China, Alemanha, por exemplo, investem há muito tempo na preparação psicológica de seus atletas. Eles contam com grandes laboratórios nas universidades e produzem muita pesquisa na área. Isso demonstra que investir na psicologia esportiva pode gerar resultados significativos, tanto no que diz respeito à saúde mental dos praticantes de exercícios e atletas como no que tange aos resultados esportivos propriamente ditos.

Os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro podem servir como um grande campo de trabalho para esse profissional? Como?

Sem dúvida. Em 2012, houve a participação de um número expressivo de profissionais nas Olimpíadas de Londres. Em 2016, a tendência é que esse quantitativo aumente. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) já se mobiliza nesse sentido. Hoje, existe um reconhecimento de que a preparação mental é tão importante quanto a preparação física e a técnica. Os técnicos e seus auxiliares têm buscado cada vez mais o auxílio dos psicólogos do esporte para que o rendimento de seus atletas seja otimizado.

Fonte: Extra