Descartando as questões de fome e saúde, as crianças choram tanto pelo simples fato de que APRENDERAM A CHORAR COMO FORMA DE SE COMUNICAR! Em verdade, o choro é um componente inato do comportamento humano (ou seja, já nascem com a criança), mas ele passa a adquirir contornos sociais na medida em que a criança aprende que ele mobiliza os pais (ou responsáveis) para a satisfação de suas necessidades e desejos; ou seja, a criança entende que se ela chorar mobilizará as pessoas ao seu redor para a satisfação de suas necessidades.

É uma questão de reforçamento: se a criança chorar, e por conta de seu choro, tiver as suas vontades satisfeitas, ela irá chorar sempre, de modo que o comportamento de chorar será fortalecido.

Os pais devem ter cuidado de verificar sempre a saúde da crianças, se a mesma está alimentada, se está higienizada ou se não existe nenhum outro fator externo que esteja causando incômodo, esses também são motivos para os temíveis choros das crianças. Todavia os pais também não devem descartar a possibilidade de as mesmas estarem chorando como simples maneira de mobilizar os pais para a satisfação de suas necessidades.

Uma coisa que é importante lembrar é que, as crianças ainda não aprenderam a clara delimitação de limites, então, muitas de suas vontades, serão a mais pura necessidade de manipular o mundo ao redor pelo simples fato de não terem aprendido que elas não são o centro do universo.

Esta é uma etapa difícil na formação dos filhos, mas com muita paciência e calma ela pode ser superada, e os pais devem ficar atentos para perceberem se não estão sendo controlados pelas vontades irracionais dos filhos, lembrando que não é saudável atender a todas as vontades dos filhos em toda e qualquer hora. A criança deve aprender desde cedo de que existem limites para as suas vontades e que existem outras vontades (de outras pessoas) no mundo, e que estas não estão subordinadas às suas.

Neste sentido, o que os pais devem aprender é que, em um determinado momento da vida da criança, principalmente onde ela já começa a esboçar os primeiros balbucios, que existem maneiras de ensinar a crianças de que existem outras formas de comunicação, que não somente o choro. Esta pode ser a diferença entre criar um filho compreensivo e um filho intolerante.

Neste sentido, há muito mais da habilidade dos pais em serem educadores, desde o primeiro ano de vida, do que os mesmos podem imaginar: não devemos desprezar a capacidade das crianças de serem sujeitos que aprendem.

Imagem: Extraída do Google Imagens

Fonte: Rede Goiana de Psicologia