Nos interessa falar e pensar o desenvolvimento infantil. Nos dias de hoje, interessa muito mais aos pais que em tempos passados.
Muito se fala sobre a importância dos 6 ou 7 primeiros anos de vida, quanto a estruturação da personalidade e do pensamento. E no que temos de estudos e avanços nesta área até os dias atuais, esta afirmação de fato se confirma.

Os primeiros 6 ou 7 anos de vida são muito importantes mesmo na estruturação psíquica. Isto não significa que o que acontecer até esta etapa do desenvolvimento está fadado a permanecer da mesma maneira para o resto da vida, claro que não, podemos mudar e evoluir sempre, se houver desejo. Mas significar dizer e pensar que o que é vivido neste período marca profundamente a estruturação psíquica do ser humano, e define nossos posicionamentos frente ao mundo, ao menos no que diz respeito, a uma certa tendência de comportamento.
Isso se aplica não somente pelos estudos na área da psicologia e da psicanálise, mas é confirmado pelos últimos achados na área das neurociências, que nos dizem que aquelas tendências genéticas de comportamento serão ou não realizadas de acordo com as experiências que vivenciarmos no ambiente em que estamos inseridos, e ainda, para complementar, que somos agraciados pela possibilidade da neuroplasticidade, que se define por ser uma forma de rearranjo nas sinapses cerebrais (corrente elétrica cerebral) que poderia nos trazer mudanças de comportamento tanto no aspecto físico, quanto psíquico e cognitivo, com as tentativas e repetições em prol de uma nova realidade.

Bem, isso significa dizer que as ciências que tratam da subjetividade – as psi, e aquelas que tratam da dimensão objetiva, diga-se física, enfim chegam a um ponto de encontro. Aquilo que era afirmado pelas psicologias e psicanálise a mais de um século – que a personalidade e os comportamentos eram definidos nestas primeiras fases de vida do indivíduo, acaba por ser corroborado pelas neurociências hoje. Ora se uma pessoa nasce com o cérebro em parte acabado, mas seu maior crescimento e desenvolvimento se dá até 7 anos de idade (90%), o que se completaria até por volta dos 12 anos, podemos concluir que as experiências vividas pela criança neste período além de marcá-la emocionalmente, marcam seu cérebro, de forma a produzirem certos tipos de respostas (sinapses cerebrais) para ações do mundo com relação a ela.Isso equivale a dizer que de fato ela se estrutura nessa faixa etária.

Então temos que, as mudanças de comportamento são bastante complexas, pois envolvem uma forma de SER marcada nos tecidos, no corpo... e no coração. Por assim dizer.E sendo assim, considero importante que nós – pais e ainda profissionais que trabalham com crianças, possamos ter acesso a estes conhecimentos para entender um pouco mais como se dá a formação dos comportamentos de nossas crianças, e para que possamos também ter a paciência necessária, e o empenho fundamental na formação e nas mudanças que consideramos poder trazer mais aproveitamento e felicidade para vida dos nossos filhos.

Fonte: Blog Psicologia Infantil