"O que é que queres ser quando fores grande?" Quantos de nós já não ouvimos esta pergunta durante a nossa infância? Quando somos pequenos, esta é uma pergunta à qual respondemos sem grande dificuldade … e queremos ser uma infinidade de coisas: médico, astronauta, futebolista, bombeiro, bailarina … um sem número de coisas que dizemos, livres de qualquer preocupação, pressão, angústia ou indecisão, guiados pelo nosso mundo de sonho, fantasia e idealizações. Mas quando crescemos, esta pergunta ganha novos contornos e transforma-se em: "o que é que queres seguir?" E nesta fase, a resposta a esta questão já não é tão fácil, ganha um peso diferente e o tempo para decidir já não é tão longo.

A fase em que esta questão começa a surgir, coincide com uma outra fase importante: a adolescência, que é, por excelência, uma fase repleta de modificações não só físicas e sociais como também cognitivas, o que ainda torna mais desafiante o processo de decisão vocacional. Nesta fase, o/a adolescente já não responde a esta questão de uma forma ligeira e começa a sentir-se ansioso, preocupado, confuso, pressionado e muito perdido.

E é nesta altura que surge a pergunta: " E agora? O que é que eu faço?

Nesta fase pautada por uma grande confusão e uma infinidade de dúvidas e questões, os jovens muitas vezes preenchem alguns testes de orientação vocacional, por forma a ajudar no seu processo de tomada de decisão. Mas, muitas vezes, este processo de Orientação Vocacional, acaba por resultar num sentimento de (des)orientação vocacional. Curioso, não? Porque será que isto acontece?

A resposta a esta questão é muito simples: muitas vezes, o preenchimento destes questionários acaba por dar respostas aos jovens tendo em conta apenas algumas das suas variáveis individuais, não tendo em consideração outras variáveis igualmente importantes. Por exemplo, após o preenchimento de um questionário focado nas competências do jovem, em termos de resultados, estes vão dar respostas em termos das suas competências, mas não dará resposta em termos, por exemplo, dos interesses ou dos valores do jovem. Esta resposta parcial, muitas vezes faz com que o jovem acabe por se sentir mais confuso, mais desorientado e ainda mais pressionado.

Então, quer dizer que os testes de orientação vocacional são inúteis e desaconselháveis? Não, de todo! O que isto quer dizer é que a Orientação Vocacional deve considerar vai muito mais além daquilo que conseguimos obter através dos testes. É um processo pessoal e social de desenvolvimento, que visa explorar não só as competências dos jovens, mas também promover o autoconhecimento através da exploração de outras variáveis individuais como os interesses de cada um, os seus valores; aspetos imprescindíveis para um processo de tomada de decisão coerente e o mais abrangente possível.

A escolha de um agrupamento, curso ou profissão, não é uma tarefa fácil precisamente porque nós, seres humanos, somos extremamente complexos e dotados de características muito diversificadas que são importantes ter em consideração na tomada de decisão vocacional. Aliado a estes fatores mais individuais/internos, existem ainda os fatores externos a considerar, como o sistema de ensino português, as características de cada agrupamento e curso, a realidade do mercado de trabalho…são tudo variáveis que devem ser consideradas no processo de orientação vocacional, até porque muitas vezes, os jovens sentem-se perdidos também devido à falta de informação sobre estas questões.

Fonte: Oficina de Psicologia