A ansiedade pode ter muitas causas. Independentemente do incômodo que muitas pessoas sentem na presença dos sintomas da ansiedade, senti-las tem o seu lado benéfico, pode ser um sinal de alerta que nos protege de algo. Muitas são as pessoas que lutam contra a sua ansiedade, na grande maioria das vezes porque têm dificuldade em tolerar e gerenciar os seus sentimentos. De fato, a receita para transformar os sintomas da ansiedade dita normal em ansiedade patológica, é ignorando, rejeitando ou temendo aquilo que se sente no corpo. A ideia que se tem acerca dos sintomas incômodos, exacerba esses mesmos sintomas, até ao ponto de entrarem numa espiral negativa construída por tremores musculares, formigamento, batimento cardíaco acelerado, sudação, nó na garganta, estômago agitado e uma mente cheia de cenários catastróficos.

MUDAR DE PERSPECTIVA SOBRE AS EMOÇÕES

Se você se identifica com a descrição anterior, é hora de abordar a sua ansiedade pela perspectiva da aceitação. Ao fazer isso, permite olhar para as suas emoções de uma forma não ameaçadora. Assim, aprender a lidar sem medo com as emoções, como a tristeza, raiva, preocupação, medo, é preponderante para você conviver satisfatoriamente com a sua ansiedade.

Para implementar o principio da aceitação da sua ansiedade, você pode fazer isso começando a concentrar-se nas sensações que experimenta no seu corpo, sem julgamento. Ou seja, sem considerá-las boas ou más, mas apenas como sensações que você pode suportar e regular de forma intencional. Quando você perceber que começa a projetar cenários negativos acerca do seu incômodo sentido, ou julgando que isso é insuportável ou angustiante, opte por não julgar o que está sentindo, mas simplesmente observe o que está sentindo. Pode ser incômodo, mas suportável.

Em seguida, tente perceber que emoções estão associadas a essas sensações. Ao fazer isso, permita-se estar ciente dessas emoções e o que elas dizem acerca do momento de vida em que se encontra, ou da situação que enfrenta. Assim como quando você tentou prestar atenção às suas sensações, provavelmente você vai sentir-se compelido a rejeitar essas emoções negativas. Mantenha-se firme. Esta é a sua chance de ficar parado (sem julgar) e sentir as emoções a expressarem-se em si. Isso é o que as emoções fazem, expressam-se em nós. Eles vão aumentando a sua intensidade, para passado algum tempo diminuírem de intensidade.

TOLERÂNCIA EMOCIONAL

A capacidade de permanecer consciente das suas emoções aceitando-as de uma maneira não defensiva é o que irá permitir que você aumente a sua tolerância ao incômodo causado pelas mesmas (tolerância emocional). Este processo é fundamental para ajudar a reduzir a ansiedade, e a não ficar desolado pelo impacto das suas emoções. Você consegue assim promover o seu equilíbrio emocional, porque consegue aceitar o que sente, não se funde ao que sente, e permite-se sentir o que sente sem ficar esmagado ou descontrolado.

É muito útil desenvolver a tolerância emocional, este é um exercício que uso em terapia, orientando a pessoa para ficar conectada com os seus sentimentos, em vez de tentar eliminá-los ou evitá-los. Tenha em mente que este processo, por vezes, pode ser demorado e necessitar de dedicação e coragem. Então, seja paciente com você mesmo. À medida que você for aceitando as suas sensações incômodas e as suas emoções dolorosas, certamente irá diminuindo o impacto negativo que a ansiedade está tendo na sua vida.

DO INCÔMODO À REGULAÇÃO EMOCIONAL

Um dia, na china antiga, um homem a cavalo passou por outro que estava parado ao lado da estrada. O homem de pé perguntou: "Cavaleiro, onde vais?" O homem a cavalo respondeu: "Não sei, pergunta ao cavalo."

Esta história é uma metáfora das nossas vidas emocionais. O cavalo representa as nossas emoções. Habitualmente, sentimo-nos compelidos pelas emoções. Sentimos que não temos controle sobre o cavalo e deixamos que nos leve onde ele quiser. Felizmente, podemos domar e conduzir o cavalo. Temos, antes de mais, de compreender o cavalo e observar as suas preferências, tendências e comportamentos. Quando compreendemos o cavalo, aprendemos a comunicar com ele e tornamo-nos competentes para trabalhar com ele. Por fim ele leva-nos onde queremos ir. Criamos assim a nossa própria escolha, e orientamos o cavalo para onde queremos caminhar. Podemos desta forma passar do incômodo das vontades próprias do cavalo (nossas emoções) à regulação da direção que queremos que ele vá (nossa vontade e objetivos).

Fonte: Escola Psicologia