Quando pequeninos os bebês tem um hábito que é claramente observado: eles levam tudo à boca! Os brinquedos, a chupeta, os dedinhos dele e dos outros, enfim, abocanham tudinho. Por vezes é tranquilo lidar com isso, mas dependendo do tipo do objeto temos que ter cautela e nos preocupar com o que está em torno do bebê. Enfim, o que se passa nesta fase para que isso aconteça com tanta frequência? Freud, teórico estudado pela Psicologia, pode nos auxiliar a entender um pouco sobre isso...

Quando está no útero o bebê vive uma "satisfação plena". Não há necessidade de se engajar para alimentar e nem realizar nenhuma de suas necessidades básicas. Após nascer, ele precisará se adaptar em um mundo novo, começará uma luta pela sobrevivência. No início da vida a boca é a estrutura sensorial mais estimulada e desenvolvida, é por meio dela que se mobilizará o início desta luta pela sobrevivência. Através da boca o bebê começa a provar e a conhecer o mundo.

Assim, inicialmente, toda atividade psíquica se concentra em fornecer satisfação às necessidades dessa zona. Por meio da boca a criança fará uma descoberta afetiva de grande significado: o seio materno. Tudo isto é impulsionado pelo reflexo de sucção que o bebê possui. A sucção do seio é algo intensamente prazeroso à criança, pois, nesse ato, além de cessar um desconforto físico (fome), nunca sentido antes, o bebê ainda recebe de forma reconfortante o afeto materno. Freud diz então de um prazer que vai além da satisfação de uma necessidade física sendo isto comprovado quando observamos, por exemplo, que muitas vezes a criança continua a sugar a chupeta ou ainda faz movimentos de sucção enquanto dorme.

Já que a criança está "conhecendo o mundo pela boca" temos que tomar certas precauções com os objetos que ela terá contato e que, provavelmente levarão à boca. Não se trata de repreender sempre a criança, mesmo porque o ato de levar as coisas à boca é para ela muito prazeroso. É necessário, portanto, cuidar dos objetos que ela tem contato, mantendo-os limpos. Deve-se observar cuidadosamente seu tamanho para que não haja o perigo de serem engolidos, mantendo afastados objetos/produtos tóxicos. E lembre-se, como as fases... esta também passa!

Referências

FREUD, S. Três ensaios sobre a teoria da sexualidade, 1905. In: ______. Um caso de histeria e Três ensaios sobre a teoria da sexualidade. Rio de Janeiro: Imago, 1996. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, 7).

Autora: Stéfany Bruna