Um estudo feito por pesquisadores norte-americanos da Escola de Psicologia da Universidade Adelaide refere que as pessoas que são ofendidas facilmente perdoam quando sabem que quem lhes fez mal foi submetido a algum tipo de punição.

"A justiça e o perdão são muitas vezes considerados como opostos, mas descobrimos que as vítimas que punem os seus agressores são mais suscetíveis de perdoar o ofensor e seguir em frente", refere em comunicado Peter Strelan, psicólogo da Escola de Psicologia da Universidade Adelaide, que tem vindo a estudar o perdão, numa tentativa de entender melhor como as pessoas podem resolver conflitos pessoais.

Para Peter Strelan, "a punição pode assumir muitas formas diferentes. Pode-se dar a alguém o 'tratamento silencioso', o que em si mesmo é um castigo psicológico muito poderoso. Ou, no caso de um agressor criminoso, sabendo que um tribunal impôs uma sentença razoável e que a justiça está a ser feita - que pode ser o suficiente para algumas pessoas perdoarem".

"Esse sentido de justiça, ou esse 'receber o que merece' é importante. No entanto, nas relações interpessoais a punição não deve ser extrema ou vingativa. Se fosse, isso não iria ajudar a reparar os danos no relacionamento e iria tornar as coisas piores", acrescentou Peter Strelan.

"Para que o perdão realmente funcione, deve haver um sentimento de que as respostas negativas para com um transgressor estão a ser substituídas por pensamentos positivos. Não se trata de retaliação, trata-se de responder de forma construtiva e fazer algo sobre o mau comportamento das pessoas para consigo, de uma forma que funciona para ambas as partes envolvidas no conflito", sublinhou o psicólogo norte-americano, na nota divulgada pelo portal Newswise.

Peter Strelan considerou que muitas pessoas têm dificuldade em perdoar aquelas que lhes fizeram mal.

"Quando você se sente magoado por alguém que você naturalmente sente ser vulnerável, a própria ideia de a perdoar também faz com que a vítima se sinta vulnerável. Quando alguma forma de punição está envolvida, a vítima sente-se mais habilitada que o agressor e é mais facilmente capaz de a perdoar", afirmou.

Fonte: Psicologia