De acordo com Vicente (2005), o Psicodrama se baseia num conjunto de técnicas, em que através do jogo teatral improvisado se visa exprimir e desenvolver as disposições mentais latentes dissimuladas ou repudiadas da vida mental, e principalmente da vida psíquica.

Segundo Ramalho (2011), o psicodrama busca fazer o indivíduo alcançar uma existência autêntica, espontânea e criativa. Nas abordagens vivenciais, a técnica e a teoria são secundárias em relação à pessoa e à importância da relação terapeuta e cliente.

Nas abordagens fenomenológico-existenciais busca-se o desenvolvimento da intuição, da liberdade e da sensibilidade; não se utilizam enquadramentos diagnósticos psicopatológicos. Vê-se o neurótico como alguém que ainda não encontrou seu caminho de crescimento, ou seja, que se submeteu ás conservas culturais, cristalizou papéis e deixou de ser espontâneo criativo, perdeu o sentido da sua vida. Enfim, para o psicodrama, o neurótico tem dificuldade de viver o aqui – e – agora, o momento, pois falsifica o fluxo das suas vivências. Os existencialistas e psicodramatistas concebem o homem como um ser inacabado, em eterno devir (RAMALHO, 2011).

Enfim, as terapias vivenciais de base fenomenológico-existencial têm como objetivo fazer com que o indivíduo possa resgatar a liberdade de poder utilizar suas próprias capacidades para existir, para reaprender a utilizar a sua liberdade de forma responsável, para ser o que ele é. Para tal, promovem uma relação terapêutica que privilegia o encontro existencial eu – tu, que recria e permite o encontro na vida, em outras relações sociais.

Moreno pretendeu que cada sessão psicodramática fosse uma experiência existencial. Através do discurso de Moreno, podemos encontrar os conceitos básicos da fenomenologia existencial, tais como: existência, ser, temporalidade (o aqui – e – agora), espaço, encontro, liberdade, projeto, percepção, corpo, imaginário, linguagem, sonhos, vivência, etc.

O Psicodrama permitiria, através deste jogo, fazer ressurgir comportamentos, fantasias e afetos, que ajudariam a descobrir, modificar e desenvolver a personalidade. Esta concepção inspira-se numa tradição grega antiga, na qual o teatro, além do valor de interesse estético, tem uma influência no enriquecimento e domínio do próprio. Assim, o valor do teatro terapêutico seria fundamentalmente catártico e, quando representado com total espontaneidade, tornar-se-ia criativo e libertador. (VICENTE, 2005)

Segundo Moreno:

"o homem possui recursos inatos: a espontaneidade, a criatividade e a sensibilidade. Tais recursos podem ser alterados ou prejudicados pela ação do meio ambiente e dos sistemas e regras sociais. Para ele, suas ideias proporcionariam uma Revolução Criadora através da recuperação da espontaneidade e da criatividade." (apud PEREIRA, 2011, p. 32)

A espontaneidade está ligada a capacidade do individuo ajustar-se a uma nova situação de maneira inédita. Em resumo estabelecer um novo jeito em algo remete ao conceito de criatividade. (PEREIRA, 2011)

Fonte: Psicologia.MNS.com