O trabalho foi realizado na Unidade Integrada "Osmar Ferreira Brandão", instituição de ensino pública, localizada na cidade de Parnarama-MA, com alunos cursando o 6º ano do ensino fundamental.

Este trabalho busca a observação dos processos de ensino e aprendizagem dos alunos, especialmente, na disciplina de matemática e a indisciplina. E também tenta incluir a esses processos alguns exercícios psicomotores, a fim de tentar uma conciliação entre a educação tradicional e a educação do corpo, visando uma melhoria nesta aprendizagem.

O tema é bastante pertinente, visto que temos a perspectiva de valorizar o desenvolvimento da criança como um todo; a sua formação integral, nos diversos campos; emocional, cognitivo, nos aspectos físicos, no social e cultural. Como bem cita Freire e Scaglia "a escola não pode se ater somente á cabeça da criança, mas ao corpo inteiro".

Separação Corpo e Mente

Segundo Fonseca (1995) apud Alves (2010) desde a civilização grega, contemplando a Idade Média, e outros períodos, a concepção do corpo passou por várias transformações. Sofreu com a negligência de vários teóricos, citando como exemplos: Platão que concebia; a "alma" separada do corpo, sendo o corpo apenas "matéria" que falece, e a alma como imortal e retentora de todo o conhecimento; e René Descartes que tinha também a visão de corpo separado da mente. O corpo, de certa forma, foi considerado apenas como um "objeto" dissociado da estrutura racional do homem.

Com a história da psicologia, que como ciência social que é, confunde a sua história própria história a da humanidade, também não foi muito diferente, o próprio termo psicologia vem do grego psyché"alma" e logos "razão", sendo assim psicologia tem como significância "estudo da alma"(BOCK, 2001). Discriminando assim, ao menos no início de sua prática, a importância da consciência do corpo, priorizando os estudos da mente.

Assim pode-se salientar que com as práticas de ensino o processo também, ao menos em seu início, não foi diferente. Era e continua sendo valorizada apesar de observarmos esforços para modificar esta prática, apenas a educação em seus aspectos cognitivos, onde, segundo ás práticas tradicionais,só precisamos do cérebro pra pensar e atingir nossos objetivos intelectuais.

O Desenvolvimento Humano como um Todo

Esta forma de educação profissional está aos poucos sendo reformulada. Muitos pensadores contribuíram para que isso ocorra, dentre eles Piaget; com seu estudo sobre os estágios infantis, Vygotsky; com seu estudo sobre a aprendizagem como sendo uma interação entre o individuo e o meio em que ele está inserido, Wallon; relacionando o movimento com o afeto e a emoção, influenciando toda a vida do individuo e Ajuriaguerra; traz o corpo como elemento essencial para o desenvolvimento como um todo, dentre outras grandes contribuições que todos trouxeram.

Mais para que isso ocorresse foi necessário que pessoas como eles olhassem a aprendizagem de uma forma diferente, que percebessem a ineficiência do sistema tradicional, que limita o individuo a receber uma única espécie de educação e utiliza um único método, onde quem não se adéqua , é considerado incapaz, e acaba eclodindo pelos caminhos da evasão escolar e da reprovação.

A educação, na maioria das práticas, acaba não percebendo os tantos outros fatores que influenciam na aprendizagem, como a cultura, o social, o emocional e especialmente o corpo. Nos primeiros anos de vida escolar, a educação psicomotora é trabalhada, entretanto, acaba sendo limitada ao fato da criança ser capaz de manusear o lápis, identificar letras e números, dentre outras pequenas coisas, limitando a motricidade á apenas movimentos motores. Com o passar do tempo e da evolução escolar, a psicomotricidade é retirada cada vez mais do âmbito escolar, como se o movimento do corpo já não fosse mais bem vindo, menos consciente do seu próprio corpo, a criança se torna cada vez mais rígida em seus movimentos, e por consequentemente em seu modo de encarar a realidade.

Freire e Scaglia (2010), falam que "considerando o tempo em que cada aluno passa na sua escola, no ensino fundamental e médio, se obtém cerca de 9.600 horas de confinamento dentro de uma sala de aula, e que a maior parte desse tempo passam em um espaço ainda menor, cerca de meio metro quadrado que é equivalente aos limites das carteiras".

O que compromete a evolução da criança como um todo. Espera-se que o aluno tem uma postura rígida, que realize poucos movimentos, que continue "sentado na carteira", que não expresse opiniões divergentes e que saiba que o brincar está reservado a poucos momentos e que estes momentos já estão programados.

Segundo Fonseca (2006), "frequentemente, o desejo do professor é que o aluno fique quieto, ouça as explicações que tem para dar, faça corretamente os exercícios e pronto. Se as atividades acontecerem, o professor se sentirá realizado".

Fonte: PSICOLADO