Nem só de resultados "comerciais" vive um líder: sua vida não possui somente gráficos para apresentar, números que respaldem seu aparente sucesso ou a sua capacidade de aparecer na mídia. Um líder é uma pessoa que possui uma excelente capacidade de influenciar e obter seguidores. Neste sentido, podemos apontar dois tipos de realização de um líder – as suas realizações tangíveis, que são as metas ou objetivos alcançados, e as suas realizações interpessoais.

Com base nisto, muitas pessoas tem escrito sobre a diferença entre um líder e um chefe: o primeiro é o que inspira através da autoridade os seus seguidores, o segundo é o que utiliza de poder para conseguir o que quer ou precisa. Em ambos os casos, é preciso muita habilidade, já que, por mais que tentemos um ideal democrático de liderança para as nossas vidas 24 horas por dia, em algum momento seremos chefes, querendo ou não. Tudo isso porque é preciso aprender a lidar com uma comunidade através de relacionamentos, e estes por muitas vezes não são totalmente harmônicos.

Sendo assim, ao relacionarmos com o outro, em uma dinâmica de liderança, ou o faremos baseados em poder ou autoridade, e às vezes em um misto dos dois. E nesta dinâmica, a maior parte dos líderes entende que, a melhor maneira de inspirar seus seguidores é com base no exemplo: fazer primeiro, tomar iniciativa, mostrar seus predicados. E justamente por isso, por saberem que são dotados de uma energia, ou capacidade, "diferente" da média, é que os líderes sabem que são fortes e possuem uma autoestima igualmente forte. O problema se dá quando a autoestima, tocada em algum complexo não resolvido, se torna em convencimento...

...A partir daqui começa o grande erro: um ciclo onde o convencimento vira motor para a arrogância, e esta para o orgulho. Acredito que uma das maiores dificuldades de um líder é fazer a mediação entre uma autoestima saudável e um comportamento orgulhoso. Isso porque o líder, desde muito cedo, teve que aprender a lidar com as constantes pancadas do ambiente em sua autoestima, pois sempre esteve a frente de julgamentos sociais.

Esta dinâmica é muito complicada: ou desenvolve-se um narcisismo saudável, ou este irá para o lado da arrogância e fará com que as relações interpessoais e intrapessoais se tornem cada vez mais difíceis. E é por isso que sempre digo que um dos maiores erros de um líder é entregar-se para o narcisismo, não escutar o outro, e acabar se tornando uma pessoa orgulhosa. Não é problema saber ou crer que você é bom, afinal de contas, a "falsa humildade" também é uma expressão velada do orgulho, mas o problema é sempre usar de seu narcisismo como defesa para lidar com suas próprias fraquezas, tornando-se arrogante por isto.

O problema do orgulho é que geralmente ele se utiliza de uma dinâmica do rebaixamento dos demais para a elevação do "si próprio". Neste sentido, não há, necessariamente, um elevação de habilidades ou potencialidades, mas a tentativa constante do rebaixamento dos que estão ao redor para fazer valer sua posição. Isso faz com que os relacionamentos sejam cada vez mais difíceis pelo simples fato de que ninguém gosta de se relacionar com pessoas que o "desconfirmam" sempre.

Sendo assim, uma dinâmica para líderes lidarem com seu narcisismo a ponto de não se tornarem orgulhos e tenderem à ruína social é: tenha sempre um pequeno grupo que você tenha em grande estima! A opinião de todos a nosso respeito nem sempre reflete a realidade do que vivemos ou sentimos, mas a opinião dos que nos conhecem, nos respeitam e nos entendem é sempre muito valiosa para que estejamos protegidos de um mal que assola a nós mesmos. Sendo assim, o maior erro de um líder, é não saber em quem pode contar para poder fugir de um grande corruptor social: o orgulho de pensarmos que somos realmente maiores do que verdadeiramente somos.

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Fonte: Rede Goiana de Psicologia