Você já se perguntou sobre qual é o futuro da psicologia? Esta ciência que se iniciou no final do século XIX, tem percorrido o século XXI ainda em busca da solidificação de seu status de ciência, diante da pluralidade de abordagens e teorias existentes, que muitas vezes são contraditórias entre si. Várias teorias nasceram, algumas morreram, algumas ainda irão nascer, e parece que o futuro da psicologia ainda é meio incerto? Afinal de contas, vamos continuar parecendo uma colcha de retalhos com várias teorias, ou unificaremos nosso conhecimento em só uma teoria?

Até o presente momento, é ainda uma pergunta sem respostas concretas, embora isso não impeça que façamos nossas especulações: em meu ponto de vista, uma unificação seria impossível. Em primeiro momento porque em se tratando de criatividade humana para as ciências, as humanas ainda estão muito na frente das exatas, porque as primeiras são estudos das ações humanas, e as segundas são estudos do mundo sobre o qual recai estas ações, sendo que a primeira está muito mais sujeita a interpretações culturais e subjetivas do que a segunda.

Posteriormente porque as ciências não se embasam somente em material "fatídico", mas também em interpretações particulares destes fatos, éticas, estéticas e etcéteras. Isto quer dizer que os cientistas também possuem apego afetivo ao que acreditam ser a verdade científica: Sim aqui entra uma questão filosófica importante – a de que também é preciso certa dose de fé para existir ciência.

Se esta minha aposta se concretizar, e a psicologia realmente se perpetuar como uma ciência cheia de meandros, isso não quer dizer necessariamente que as abordagens necessitem viver em eterna competição ou discordância. Já existem tipos de lógicas não clássicas que dão conta de teorizar sobre a possibilidade de múltiplas possibilidades de explicação científica: a lógica paraconsistente, a lógica paracompleta e a dialógica, são exemplos.

De qualquer forma, há ainda outras questões que não somente a da fragmentação ou pluralidade do conhecimento psicológico, mas também a da identidade: a psicologia ainda é uma ciência muito "ligada" a outras – a medicina, neurociências, sociologia, etc. Isso quer dizer que, se a psicologia não encontrar uma maturidade conceitual e metodológica, corre o risco de sucumbir às ciências já citadas, tornando-se um de seus braços.

O futuro da psicologia ainda é incerto, mas há que pensá-lo, e ver que não ocorrerá somente em virtude da força de "descobertas" científicas, mas também de tramas políticas, sociais, econômicas e etc. O que temos que fazer é: Ou abraçamos o status plural de nossa ciência e continuamos avançando para a construção de teorias com bases teóricas cada vez mais sólidas, ou nos esmeramos para derrubar esta tese e mostrar a possibilidade de unidade com uma identidade própria, pois, ficar no meio termo, pode acarretar a morte de nossa ciência.

Imagem: Extraída do Google Imagens

Fonte: Rede Goiana de Psicologia