Lev Semionovich Vigotski [várias traduções são possíveis para seu sobrenome: Vygotsky, Vygotski ou Vigotsky] (1896-1934) foi um grande cientista bielorrusso, que ficou mundialmente conhecido pelas suas contribuições para a psicologia. Apesar de não possuir formação oficial na área (raridade para aquela época), podemos considerá-lo um psicólogo, pelo fato de que suas contribuições teóricas foram criadoras de uma Escola de Pensamento que muito influenciou a psicologia posteriormente ao século XX.

De descendência judaica, Vigotski era formado em direito, história, literatura e medicina, compreendia nove idiomas (dizem alguns biógrafos que, apesar de ter o domínio dos outros idiomas, não gostava de falá-los para respeitar a pronunciação correta das palavras), foi professor na cidade de Gomel (Bielorrrusia), mudando-se posteriormente para Moscou (Rússia), para trabalhar no Instituto de Psicologia daquela cidade.

Junto com Alexei Nikolaievich Leontiev (1903-1979) e Alexander Romanovich Luria (1902-1977), criou a Psicologia Histórico Cultural, uma teoria psicológica baseada em um tipo próprio de Materialismo (Toassa, 2015) com base no Marxismo. Vigotski morreu de tuberculose aos 37 anos, tendo deixado em um curto período de tempo, cerca de 10 anos, vários manuscritos (alguns dos quais ainda desconhecidos do grande público) de grande relevância para a Psicologia.

Muitos nomes têm se dado para a escolha de pensamento que se originou em Vigotski: Escola de Vigotski, Psicologia Histórico-Cultural, Psicologia Sociocultural, Psicologia sociohistórica, psicologia sociointeracionista etc. Tais nomes ocorrem em parte por traduções e interpretações parciais da obra do autor: González Rey (2005) assinala que, psicologia sociocultural, é uma mistura e/ou interpelação da psicologia pragmática ou cognitiva estadunidense na obra de Vigotski; assim como psicologia sociointeracionista (Duarte, 2011) que recebeu interpelações da teoria piagetiana; e como pode-se perceber a influência do culturalismo norteamericano e europeu e do Marxismo latinoamericano nas diversas correntes da chamada Psicologia Sociohistórica.

A base da psicologia vigotskiana é muito simples: o caráter social do desenvolvimento humano. Ou seja, o ser humano, por mais que tenha um aparato biológico/orgânico, necessita de um aparato social para desenvolver esta infraestrutura. Neste sentido, o social vai muito além das interações entre as pessoas, mas do conjunto de símbolos e afetos que são gerados no processo de modificação do mundo através das ferramentas construídas pelo homem. E neste sentido, o desenvolvimento humano se dá através de quatro vias, ou entradas, que são a microgênese, a filogênese, a ontogênese e a sociogênese (não vou me ater a explicar os pontos, uma googlada resolve isso).

Muitas foram as contribuições de vigotski aos campos do desenvolvimento humano, da psicopatologia, da epistemologia da psicologia, da psicologia da arte, entre outras, que ainda estão sendo descobertas: os livros de Vigotski foram proibidos pela ditadura soviética por um período de 20 anos, sendo abertas ao mundo somente a partir de 1956, chegando no Brasil somente em 1984, cinquenta anos depois de sua morte, demonstrando que há ainda muito a que se fazer, e muito o que se conhecer do autor.

Referências

Duarte, N. (2011). Vigotski e o "aprender a aprender": crítica às apropriações neoliberais e pós-modernas da teoria vigotskiana (5ª Ed.). Campinas: Autores Associados.

González Rey, F. L. (2005). Sujeito e subjetividade: uma aproximação histórico-cultural. São Paulo: Thomsom.

Toassa, G. (2015). Is there a "Vigotskian Materialism"? Ontological and epistemological concerns for a contemporary Marxist Psychology. In, Dubna Psychological Journal, 1, 58-68.

Imagem: Google Imagens

Fonte: Rede Goiana de Psicologia