Pensar em morte te assusta? Provavelmente muitos dirão que sim, pois dela pouco sabemos. Lidar com esta questão é quase sempre muito difícil por ser um mistério que todos nós teremos que desvendar um dia. Acredito não ser a toa que o tema é foco principal da maioria das religiões, que procuram amparar seus membros diante da angústia que ela suscita.

E quando se perde alguém querido? Despertam diversas perguntas sobre como a pessoa está (e se está), se ela foi feliz, o que gostaria que estivesse ocorrendo se estivesse presente, o que poderíamos ter feito enquanto ela estava viva, entre outros questionamentos. E não raro essas perguntas provocam um sofrimento tão intenso que se torna necessária à ajuda profissional.

Luto não é necessariamente causado pela morte

Quando falamos sobre o tema, a tendência é pensarmos automaticamente em morte. Poderíamos compreender o luto como sinônimo de "reações à perda". Existem diversos tipos de perdas: por um emprego, pelo corpo jovem, por uma experiência que não voltará a acontecer… Todas elas podem ser vivencias com muito sofrimento.

Diante disto pode-se pensar em um amplo leque de reações. Diversos autores retratam fases do luto. Prefiro olhar para o momento de cada um, de maneira particular. Sim, existem as manifestações mais comuns, como negação em um primeiro momento. De modo geral, observa-se a perda de interesse pelo mundo externo, grande desânimo, tristeza intensa e incapacidade de amar. Entendo que não se pode generalizar, cada paciente vive a situação de uma maneira. Os sintomas manifestam-se de acordo com associações que o paciente estabelece com a morte, com o objeto amado perdido, com sua própria história e contexto atual de vida. Justamente neste ponto a psicoterapia de orientação psicanalítica propõe auxilio. Que associações são essas?

Como suportar o luto

Apesar de doloroso, o luto pode ser "sadio", quero dizer, pode ser vivenciado de acordo com o que muitos especialistas denominam por "luto normal". Cada indivíduo tem seus recursos particulares para enfrentar a situação. Uma alternativa quase sempre certeira para vivenciar este momento com menos angústia é abordar o assunto, falar sobre ele. Tornar a questão da morte velada, fazer dela um tabu, algo que não pode ser dito, pode gerar ainda mais sofrimento. Contrário ao que muitos pensam, o diálogo pode trazer naturalidade ao assunto, criando em cada um a possibilidade de resignificar o ocorrido e elaborar o conflito.

É claro que precisamos levar em consideração a história de vida e o contexto atual de cada um. Outras dificuldades da vida podem tornar o processo de elaboração mais difícil. Algumas vezes, se vivencia um luto dito "patológico" por precisar lidar com diversas questões que se somam a dor pela perda. O luto patológico pode ser decorrente também de uma dificuldade de organizar os sentimentos e os recursos disponíveis em si, levando àquela sensação desesperadora de caos interno.

Tanto no luto normal quanto no complicado a psicoterapia se propõe a ajudar. Esta é um espaço para a elaboração dos conflitos "alheios" ao luto, mas que o agravam. Falar sobre a perda torna-se possível rever os diversos questionamentos que a acompanham e dar sentido às suas respostas, tornando assim as palavras menos carregadas de dor.

Fonte: Psicólogos Berrini

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