É muito comum vivenciarmos momentos de tristeza e desânimo e acreditarmos que estamos na mais profunda depressão. Entendido como "o mal do século", o conceito tornou-se popular e passou a sofrer generalizações. Os desconfortos dos sintomas podem ser tão intensos, que a questão passou a ser recorrente nos consultórios de psicologia e psiquiatria atualmente.

Existe grande diferença entre depressão e tristeza. Todos nós experienciamos situações dolorosas e períodos de maior fragilidade. Sentir-se triste, perceber mudanças em alguns hábitos, como na alimentação, no sono e na disposição, não são sinônimos de que você está em depressão. Viver momentos de dor e de instabilidade emocional faz parte da vida humana, o que não significa que estes sentimentos não possam ser sentidos com intensidade e muito sofrimento. É possível entender a tristeza como saudável se pudermos compreendê-la como sentimento comum aos seres humanos e que permite, muitas vezes, reavaliações de si e do mundo.

Características de Depressão

Diferente do momentâneo estado de tristeza, a depressão se caracteriza pelo prolongamento dos sintomas. Você já pensou em procurar um especialista mas começou a sentir-se melhor e desistiu? Algumas vezes isso acontece porque as manifestações da depressão podem sofrer intervalos de maior e menor intensidade, levando a uma sensação temporária de melhora. Assim, o paciente adia a busca por ajuda por se sentir melhor, mas a tendência é a reincidência.

Outro aspecto que também pode levar a não procurar apoio profissional é o rótulo de doença mental que a depressão carrega. Existem muitos mitos em torno da questão, por isso é importante entender o que este estado psíquico realmente significa e compreender que o acompanhamento de profissionais especializados é importante para que o paciente volte a ter qualidade de vida.

As manifestações podem variar bastante e incluir irritabilidade exacerbada, sentimentos de tédio, baixa auto-estima, alterações na memória, disfunções na função sexual, entre outros. Dalgalarrondo (2000) coloca que os quadros depressivos caracterizam-se por uma multiplicidade de sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e cognitivos, relativos à autovaloração, à volição e à psicomotricidade (p. 191). Muitas pessoas se questionam sobre os fundamentos da doença. Pode ser potencializada ou não por fatores genéticos e apresentar diversas causas, como uso de drogas, estresse, traumas, perdas e muitas outras experiências.

Tratamento de Depressão

Existem alguns tipos de depressão e podem ser de intensidade leve, moderada ou grave. Todos os casos merecem atenção e tratamento, pois a intensidade dos sintomas pode evoluir e trazer prejuízos físicos, à vida social, ocupacional, conjugal e a outras esferas da vida, levando até mesmo ao suicídio.

Não são todos os casos que necessitam de medicação, mas alguns devem ser acompanhados, concomitantemente, por um psicólogo e por um psiquiatra. Estas especialidades tornam-se complementares e, muitas vezes, dependentes. Uma prática oferece apoio à outra na medida em que a medicação pode permitir a diminuição dos níveis de angústia e ansiedade, o que dá a oportunidade de o paciente entrar em contato com suas questões com mais tranquilidade.

Associada ao tratamento médico ou nos casos em que este não se faz necessário, o propósito da psicoterapia é proporcionar um ambiente acolhedor para que o paciente em sofrimento, isto é, aquele que vive um período de fragilidade emocional ou aquele em estado depressivo, possa revisitar-se, trabalhar suas questões e elaborar seus conflitos. Assim, torna-se possível uma vida mais feliz e com mais qualidade, na medida em que as experiências pessoais são resignificadas e passa a existir um novo olhar sobre si e sobre o mundo.

Fonte: Psicólogos Berini

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