Quando falamos em "psicoterapia" ou em "psicologia clínica" já estamos falando, ainda que sem termos conta, de um conceito de psicologia focado na ideia de saúde, mas porque este conceito está embutido e a psicologia é vista em grande parte como uma ciência de intervenção em saúde?

Não é novidade que o "boom" da psicologia começou no século XX, com a psicanálise freudiana que inaugura todo um conceito de "clínica psicológica", que foi atualizado e reatualizado por diversas outras abordagens como o psicodrama, a terapia centrada na pessoa, a gestalt terapia, etc. Neste sentido, a psicologia se popularizou graças ao conceito de clínica, por ser muito próxima de ciências que sempre estiveram em alta conta na sociedade: as ciências médicas.

Várias foram as técnicas empregadas na clínica psicológica desde o começo da história: a hipnose, a livre associação, a dramatização, a modelagem comportamental, etc., e elas foram feitas sempre na tentativa de intervir nas chamadas "psicopatologia" ou nos conflitos de ordem relacional do ser humano. E assim foi-se cunhando um imaginário de uma clínica psicológica, um lugar onde se vai para curar as "doenças" mentais.

Mas que semelhanças de fato existem entre a clínica psicológica e a clínica médica? Depende do ponto de vista de quem interpreta ou a pratica. Ambas podem ser reducionistas, centradas na doença, divisionistas, impessoais, individuais, etc. Ao contrário, também podem haver inúmeras diferenças: pode ser uma "clínica humanizada", centrada no sujeito, coletiva, social, não reducionista.

Várias teorias modernas tentaram resgatar um ideal de sujeito ativo do processo terapêutico, desafiando pilares de uma clínica reducionista, onde o indivíduo é condicionado por forças exteriores à sua própria vontade, ou é determinado por algum tipo de variável. Algumas psicologias, como a Logoterapia, de Viktor Frankl, por exemplo, traz o conceito de ser determinante, e não determinado. A Teoria da Subjetividade, de Fernando González Rey, traz a ideia de sujeito reflexivo, autônomo e criativo; o Psicodrama, com sua noção de espontaneidade, também trabalha esta capacidade do sujeito de se refazer; correntes humanistas e existencialistas também trabalharão conceitos voltados à autonomia e autorrealização do sujeito.

Ora, a psicoterapia neste sentido, tem cada vez mais caminhado para um lugar distante de uma clínica tradicional, semelhante ao modelo médico, para um modelo educativo: afinal de contas, o que é a psicoterapia senão um espaço de educação do sujeito conforme a zona de desenvolvimento proximal do sujeito que dela participa(ideia vigotskiana)?

O que eu quero dizer, misturando ideias de tantas correntes teóricas é que, a psicologia contemporânea vem caminhando na contemporaneidade para um modelo de psicoterapia cada vez mais focada nos processos de educação, e não em uma ideia clássica de uma clínica voltada a processos psicopatológicos, pois estes, por mais estranhos que pareçam, também são fenômenos histórica e culturalmente aprendidos e por isso, cada vez mais, precisamos aprender e ensinar a lidar com tais fenômenos.

Imagem: Extraída do Google Imagens.

Fonte: Rede Goiana de Psicologia