Alguma vez já lhe ocorreu a seguinte questão: como uma criança pode ter problemas, a ponto de precisar de um psicólogo? Cada uma a sua maneira, a criança compreende tudo o que ocorre a sua volta e percebe como as questões do mundo que a cerca podem se vincular a ela.

Assim como os adultos, vivenciam conflitos e podem manifestar sintomas como, por exemplo, medos e angústias. É claro que a expressão destes se traduz de forma bastante peculiar; algumas fazem uso da agressividade, outras apresentam dificuldades com os estudos ou passam a assumir comportamentos e expor sintomas que antes eram inexistentes.

Um adulto pode chegar ao consultório e se apresentar internamente ao terapeuta através da palavra, nem sempre a criança pode fazer o mesmo. Assim, o trabalho é realizado através de atividades lúdicas. O jovem paciente expõe seu mundo interno através do brincar. Por meio desta prática, o sintoma se revela e permite ser trabalhado.

Os pais, ou os cuidadores, devem comparecer para uma entrevista inicial com o psicólogo. Apenas em um segundo momento o paciente deve ser levado ao consultório. A sessão inicial tem a finalidade primordial de entender a preocupação dos cuidadores, compreender a história da criança e de seu sintoma. Algumas vezes os pais são divorciados e encontram dificuldades em comparecer juntos para o atendimento. Nestes casos, oriento que venham separados.

O atendimento infantil é composto por três "vertentes". Semanalmente a criança deve comparecer para a sessão de psicoterapia. Paralelamente, os pais realizam atendimentos esporádicos, fora do horário agendado para o paciente. Estas sessões não podem ter um intervalo fixo de tempo para ocorrer, pois dependem da demanda dos pais, da criança e da necessidade do terapeuta em realizar a orientação. O propósito destes encontros é mantê-los sempre incluídos no processo. Dessa forma, os pais podem receber devolutivas sobre o trabalho e o psicólogo pode acompanhar, através do olhar dos cuidadores, as questões que o paciente apresenta fora do contexto terapêutico.

O próximo aspecto é utilizado pelo psicólogo como instrumento que deve ficar disponível para uso quando se fizer necessário. Trata-se da visita escolar; este recurso pode ser eficaz quando o trabalho do terapeuta precisa caminhar concomitantemente ao trabalho com a escola.

Muitos cuidadores procuram os consultórios de psicologia por demandas oriundas do colégio, às vezes, quem indica é o professor ou o orientador pedagógico. Em outras ocasiões, a queixa trazida pelos pais refere-se a dificuldades de aprendizagem ou a comportamentos no ambiente educacional. Em ambas as situações, a visita escolar torna-se muito importante para que possa ser feito um trabalho em conjunto com os profissionais de ensino, as queixas e observações dos mesmos podem ser melhor compreendidas pelo terapeuta e este pode oferecer orientações referentes ao aluno em processo de terapia.

Estas possibilidades existentes para a prática psicoterapêutica com crianças permitem que os conflitos presentes possam ser trabalhados e não se estendam para a vida adulta, através dos mesmos ou de outras manifestações do sintoma. É na infância que se estabelece os primeiros registros do mundo e que se internaliza questões que podem fazer parte da vida adulta. Se as dificuldades que a criança e os pais estão vivendo puderem ser trabalhadas, as possibilidades de ressurgirem ou de se estenderem para o futuro tendem a se extinguir.

Fonte: Psicólogos Berrini

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