Historicamente, o hospital foi utilizado enquanto um depósito para limpeza social, sendo um local destinado a todos aqueles que não se enquadravam na ordem vigente – "doentes, loucos, marginais". Em um processo histórico de transformações sociais e científicas, o hospital tornou-se um dispositivo terapêutico e de cura. Assim, progressivamente agregou uma equipe de diferentes profissionais que passaram a atuar nos diversos aspectos que compõe a saúde dos indivíduos. O enfoque amplo de saúde e a visão biopsicossocial possibilitou um espaço para o psicólogo neste contexto.

O trabalho com diferentes profissionais – médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas – exige que o psicólogo reconheça o papel de cada um e estabeleça também o seu, de modo que os objetivos sejam conjugados. A clareza na atribuição dos diferentes profissionais é fundamental para a atuação multidisciplinar. Neste campo, o psicólogo deve conhecer suas especificidades, limitações e demandas para poder realizar uma atuação adequada e efetiva.

O psicólogo hospitalar tem como objetivo acompanhar o paciente e os familiares que fazem tratamento devido ao adoecimento. Assim, pode exercer suas funções em diferentes lugares do hospital como nos ambulatórios, UTIs, enfermarias, etc. Em suas intervenções, o psicólogo deve buscar atuar sobre os aspectos psicológicos envolvidos no processo de saúde e doença, buscando minimizar o sofrimento e as possíveis sequelas.

No acompanhamento de cada familiar e paciente, o psicólogo hospitalar deve lidar com as fantasias do processo de saúde e adoecimento para além do ideal de cura. Em cada contexto e situação específica, o psicólogo deve compreender as suas demandas e possibilidades de intervenção. Por exemplo, o trabalho junto a pacientes terminais, o psicólogo atua no acolhimento e escuta de modo a auxiliar o paciente a elaborar sua vida e ressignificar sua morte. Na UTI, o psicólogo deve desmistificar este contexto, dando apoio e orientação psicológica.

Nestas complexidades de demandas, o psicólogo deve ter sólidos conhecimentos em psicologia da saúde, do desenvolvimento e em psicopatologia. Em seus atendimentos pode ser necessária a realização de uma avaliação, de um exame psíquico, de preparo para procedimentos, pareceres, intervenções em perdas e lutos, etc. Em todo este processo, deve-se ter como alvo a qualidade de vida que cada sujeito objetiva.

Conclui-se que a atuação do psicólogo no contexto hospitalar está pautada em uma concepção integral de saúde. O psicólogo busca resgatar o sujeito ativo que há em cada paciente, realizando também uma atuação preventiva e de promoção à saúde.

Ressalta-se que o contexto do hospital impõe mudanças no ambiente, no tempo, nas demandas e no foco das intervenções, diferenciando a Psicologia Hospitalar da Psicologia Clínica. Com todas as suas especificidades e crescimento desta área, o trabalho em Psicologia Hospitalar demanda um aperfeiçoamento contínuo da formação e capacitação profissional, para que haja avanços e progressos no desenvolvimento de um trabalho voltado para o compromisso com o sofrimento humano em suas diferentes faces.

Referência: ANGERAMI, V. A. E a Psicologia entrou no Hospital. São Paulo: Pioneira.