Qual a importância do trabalho do Psicólogo na Educação?

Embora a formação do Psicólogo no Brasil esteja, na maioria das vezes, voltada para uma perspectiva mais clínica e de saúde mental, a Psicologia tem muito a contribuir para os processos educacionais. O Psicólogo é o profissional que durante sua formação tem a possibilidade de aprender sobre o desenvolvimento humano, relações interpessoais, e mecanismos e processos de aprendizagem de modo mais aprofundado. Nesse sentido, é também o profissional que pode contribuir de muitas maneiras para os processos de ensino e de aprendizagem.

Assim, o Psicólogo Educacional/Escolar pode contribuir com os demais profissionais envolvidos em atividades educacionais (professores, diretores, coordenadores, educadores) oferecendo contribuições da Psicologia (do Desenvolvimento, Aprendizagem, Ensino, Social), para melhoras nos processos de ensino e de aprendizagem.

O Psicólogo pode atuar em todos os segmentos do sistema educacional, realizando diagnósticos e intervenções preventivas ou corretivas, em grupos ou de forma individual. Em sua atuação, deve considerar não apenas os aspectos individuais dos alunos, mas também aspectos do corpo docente, do currículo, projetos políticos pedagógicos, métodos de ensino, políticas educacionais e demais características institucionais.

Por que os Psicólogos não estão presentes em todas as escolas?

O psicólogo pode contribuir muito para a educação, mas como bem sabemos nem todas as escolas (principalmente as públicas) contam com um psicólogo atualmente. Esse fato que vem sendo tema recorrente de discussões políticas e acadêmicas tem origens históricas. Aliás, historicamente, a profissão de psicólogo surge no Brasil por razões educacionais. Os primeiros laboratórios de Psicologia no Brasil foram criados por pedagogos nas Escolas Normais com fins de pesquisas em Psicologia Educacional no começo do século XX.

No entanto, com o passar dos anos e algumas questões que merecem melhor discussão em outros artigos, a psicologia, no Brasil, foi se afastando aos poucos e cada vez mais da Educação, deixando vago um espaço em que poderia contribuir de muitos modos. Uma das críticas que a Psicologia recebeu com relação ao seu trabalho nas escolas e que fez com que muitos psicólogos se afastassem deste campo de atuação nos anos 1970 em 1980 foi a de uma prática individualizante e que culpabilizava exclusivamente os próprios alunos (e suas famílias) por suas dificuldades de aprendizagem, sem levar em consideração todas as demais variáveis escolares (como professores e métodos de ensino).

Todas essas críticas foram culminando em muitas mudanças na forma de compreensão dos problemas escolares e das dificuldades de aprendizagem. Atualmente a prática em Psicologia Escolar e Educacional é muito diferente daquela utilizada durante os anos 1970 e 1980. No entanto, a atuação de psicólogos na área de educação ainda carece de espaço, uma vez que são poucos os psicólogos escolares em escolas públicas, e mesmo nas escolas particulares ainda são escassos os espaços para esses profissionais.

É importante ressaltar que o psicólogo pode trabalhar não só com crianças com dificuldades de aprendizagem, mas também pode auxiliar na formação continuada de professores, contribuindo, por exemplo, com os conhecimentos de psicologia da aprendizagem e do ensino, psicologia do desenvolvimento e psicologia cognitiva para melhorar os processos educacionais.

Os psicólogos em escolas não devem realizar uma prática clínica, isto é, de tratamento de problemas emocionais, familiares, distúrbios etc., mas devem se ocupar de uma análise mais macroscópica que busque compreender os processos educacionais que levam a algumas crianças apresentar dificuldades enquanto outras não apresentam dificuldades. Essas questões podem ser em virtude de problemas das crianças sim, mas também podem ser (e na maioria das vezes são) problemas relacionados a métodos de ensino, professores ou demais condições da escola.

Um bom psicólogo escolar/educacional pode auxiliar na identificação dessas características e então fornecer alternativas coerentes com a situação escolar como, por exemplo, realizar horários de orientações com os professores, planejar e executar projetos educacionais, analisar e orientar sobre métodos de ensino e propostas pedagógicas, realizar atividades de grupo com as crianças, ou em casos que sejam necessários realizar atendimento individualizado das crianças.

Dentre as várias possibilidades de atuação de Psicólogos escolares, eles podem contribuir para:

Melhorar o desempenho escolar, a motivação e o engajamento de alunos;

Realizar avaliações psicológicas e acadêmicas;

Monitorar o progresso dos alunos;

Diminuir os encaminhamentos inadequados para a educação especial;

Avaliar as necessidades emocionais e comportamentais de estudantes;

Promover a resolução de problemas e conflitos;

Planejar programas de educação individualizada apropriadas para alunos com deficiência;

Modificar e adaptar currículos e formas de instrução;

Ajustar as salas de aula e rotinas para melhorar o engajamento dos alunos e a aprendizagem;

Comunicar de forma eficaz com os pais sobre o progresso do aluno e orientá-los sobre questões educacionais;

Prevenir o bullying e outras formas de violência;

Avaliar o clima da escola e melhorar a conectividade na escola entre equipe escolar, alunos e família;

Reforçar as parcerias Família-Escola;

Ajudar as famílias a entender as necessidades de aprendizagem e saúde mental de seus filhos.

Como você pode ver a Psicologia pode ajudar e muito nos processos educacionais, sejam dentro ou fora da escola.

Fonte: Psicologia explica